Juros futuros sobem com tensão entre EUA e Irã e mercado reduz aposta em cortes da Selic

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções14 horas atrás15 Visualizações

A curva de Depósitos Interfinanceiros (DIs) voltou a apontar para cima nesta terça-feira (26) depois de três sessões de alívio, refletindo a cautela dos investidores com o impasse entre Estados Unidos e Irã. O avanço das taxas indica expectativa de juros mais altos à frente e pressiona o custo de crédito em toda a economia.

Principais movimentações na curva de juros

  • DI jan/27: 14,065% (-> +4 pontos-base)
  • DI jan/29: 13,815% (-> +10,5 pontos-base)
  • DI jan/36: 13,940% (-> +3,5 pontos-base)

Para o investidor iniciante, vale lembrar que a taxa do DI funciona como termômetro das expectativas para a Selic. Quando ela sobe, os preços de títulos prefixados tendem a cair, e empresas sensíveis a juros costumam sofrer na Bolsa.

Geopolítica volta a ditar o humor dos mercados

O gatilho para a mudança de direção foi a ofensiva norte-americana no sul do Irã, mesmo com um cessar-fogo formalmente em vigor. O governo dos EUA classificou os ataques como “autodefesa”, enquanto Teerã denunciou violação do acordo. Esse vaivém reforça o prêmio de risco exigido pelos investidores para carregar ativos de renda fixa no Brasil.

Nos Treasuries, considerados o porto seguro global, o rendimento caiu — sinal de procura maior por proteção. O retorno do papel de dois anos fechou em 4,036% (-9 pontos-base) e o de dez anos, em 4,489% (-8,3 pontos-base).

Revisões para a Selic adicionam pressão

No cenário doméstico, o Citi passou a projetar Selic de 13,75% ao ano em dezembro, ante 13,25% antes. A revisão acompanha a leitura de que o Copom pode encerrar o ciclo de cortes já em setembro, caso a incerteza externa persista.

Negociações de opções de Copom na B3 apontavam, na última sexta-feira, 74,5% de probabilidade de queda de 0,25 ponto percentual na reunião de junho. Após o estresse geopolítico, parte do mercado passou a duvidar da continuidade desse ritmo.

O que muda para o investidor

  • Renda fixa: Títulos prefixados e atrelados ao IPCA podem oscilar mais enquanto durar a incerteza. Papéis pós-fixados (CDI, Tesouro Selic) tendem a seguir atrativos em momentos de dúvida.
  • Bolsa: Setores dependentes de financiamento, como varejo e construção, costumam sentir primeiro a alta de juros futuros.
  • Dólar: Embora não tenha sido destaque no pregão, tensões no Oriente Médio historicamente elevam a procura por moedas fortes, o que pode trazer volatilidade ao câmbio.

Por ora, o mercado monitora cada sinal de avanço — ou recuo — nas negociações de paz. Enquanto não houver sinal claro de distensão, a curva de juros deve seguir reagindo a qualquer manchete que mexa com risco geopolítico ou projeção de inflação.

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