A curva de Depósitos Interfinanceiros (DIs) voltou a apontar para cima nesta terça-feira (26) depois de três sessões de alívio, refletindo a cautela dos investidores com o impasse entre Estados Unidos e Irã. O avanço das taxas indica expectativa de juros mais altos à frente e pressiona o custo de crédito em toda a economia.
Para o investidor iniciante, vale lembrar que a taxa do DI funciona como termômetro das expectativas para a Selic. Quando ela sobe, os preços de títulos prefixados tendem a cair, e empresas sensíveis a juros costumam sofrer na Bolsa.
O gatilho para a mudança de direção foi a ofensiva norte-americana no sul do Irã, mesmo com um cessar-fogo formalmente em vigor. O governo dos EUA classificou os ataques como “autodefesa”, enquanto Teerã denunciou violação do acordo. Esse vaivém reforça o prêmio de risco exigido pelos investidores para carregar ativos de renda fixa no Brasil.
Nos Treasuries, considerados o porto seguro global, o rendimento caiu — sinal de procura maior por proteção. O retorno do papel de dois anos fechou em 4,036% (-9 pontos-base) e o de dez anos, em 4,489% (-8,3 pontos-base).
No cenário doméstico, o Citi passou a projetar Selic de 13,75% ao ano em dezembro, ante 13,25% antes. A revisão acompanha a leitura de que o Copom pode encerrar o ciclo de cortes já em setembro, caso a incerteza externa persista.
Imagem: Liliane de Lima
Negociações de opções de Copom na B3 apontavam, na última sexta-feira, 74,5% de probabilidade de queda de 0,25 ponto percentual na reunião de junho. Após o estresse geopolítico, parte do mercado passou a duvidar da continuidade desse ritmo.
Por ora, o mercado monitora cada sinal de avanço — ou recuo — nas negociações de paz. Enquanto não houver sinal claro de distensão, a curva de juros deve seguir reagindo a qualquer manchete que mexa com risco geopolítico ou projeção de inflação.
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