Mercado de aluguel nos EUA esquenta no verão: Nordeste e Califórnia concentram maior disputa por imóveis

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios55 minutos atrás7 Visualizações

Com o verão do hemisfério norte batendo à porta, a empresa de dados imobiliários Zillow listou os 10 mercados de aluguel mais concorridos dos Estados Unidos para 2026. O levantamento considera três variáveis: crescimento anual do aluguel, previsão de taxa de vacância e o índice próprio de preços (Zillow Observed Rent Index – ZORI).

O resultado reforça um cenário conhecido pelos brasileiros que acompanham o setor: onde há pouca oferta e muita demanda, os preços sobem. Apesar de 2024 ter registrado recorde de novas unidades residenciais erguidas no país em meio século, o “boom” quase não chegou ao Nordeste americano nem às áreas costeiras da Califórnia, justamente as regiões que dominam o ranking.

Os 10 mercados mais quentes do verão norte-americano

  • Providence (Rhode Island) – alta de aluguel de 5% ao ano; vacância projetada de 5,1%; ZORI de US$ 2.154.
  • Nova York (Nova York) – 4,5% de alta; vacância de 4,3%; ZORI de US$ 3.406.
  • São Francisco (Califórnia) – 5,4% de alta; vacância de 4,3%; ZORI de US$ 3.206.
  • Hartford (Connecticut) – 3,9% de alta; vacância de 4,3%; ZORI de US$ 1.940.
  • Los Angeles (Califórnia) – 2,4% de alta; vacância de 4,5%; ZORI de US$ 2.892.
  • Chicago (Illinois) – 5,7% de alta; vacância de 5,3%; ZORI de US$ 2.219.
  • Boston (Massachusetts) – 2,5% de alta; vacância de 6,3%; ZORI de US$ 3.184.
  • Milwaukee (Wisconsin) – 4,1% de alta; vacância de 3,8%; ZORI de US$ 1.540.
  • Virginia Beach (Virgínia) – 4,8% de alta; vacância de 4,1%; ZORI de US$ 1.843.
  • San Jose (Califórnia) – 4,1% de alta; vacância de 4,9%; ZORI de US$ 3.534.

Por que a concorrência aumentou?

A escassez de imóveis para alugar se deve a fatores que lembram o cotidiano do investidor brasileiro: regulações locais que dificultam novas construções, alta nos custos de financiamento e migração para polos de emprego. Segundo a Zillow, “mais gente quer morar nesses lugares do que há casas disponíveis”, resumiu a economista sênior Kara Ng.

Ligação com juros e inflação

Nos Estados Unidos, as taxas de hipoteca subiram nos últimos anos, reflexo do ciclo de aperto monetário do Federal Reserve. Com o financiamento mais caro, parte dos potenciais compradores adia a decisão de aquisição e permanece no aluguel, aumentando a demanda e pressionando preços. O quadro é semelhante ao que o Brasil viveu quando a Selic superou 13% ao ano: a busca por crédito imobiliário caiu e o mercado de locação ganhou fôlego.

Mercado de aluguel nos EUA esquenta no verão: Nordeste e Califórnia concentram maior disputa por imóveis - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

O que observar como investidor brasileiro

  • Dólar: aluguéis mais altos tendem a reforçar fluxos de receita de REITs (fundos imobiliários listados nos EUA) indexados à moeda norte-americana, o que pode refletir na cotação desses ativos e na exposição cambial de carteiras locais.
  • Inflação de serviços: o aluguel residencial pesa no índice de preços ao consumidor americano. Se a inflação persistir, o Fed pode manter juros elevados por mais tempo, influenciando títulos do Tesouro americano e, por consequência, o CDI e o Tesouro Direto no Brasil.
  • Fundos globais e BDRs: quem aplica em BDRs de gestores imobiliários ou em ETFs atrelados a imóveis residenciais deve acompanhar a dinâmica de vacância. Escassez abaixo de 5% em vários mercados indica poder de repasse de preços.

Conceitos em linguagem simples

  • Vacância: percentual de imóveis disponíveis para alugar. Quanto menor, maior a competição entre inquilinos.
  • ZORI: indicador da Zillow que mede o preço médio anunciado de aluguel — similar ao Índice FipeZap no Brasil.

Para o investidor iniciante, o estudo serve como termômetro de como oferta, juros e regulação moldam preços de aluguel. A mensagem principal é clara: mesmo com recorde de construções, onde a oferta não chega o mercado continua apertado — cenário que repercute não só no bolso do inquilino americano, mas também nos rendimentos de produtos atrelados ao setor imobiliário.

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