Mercado eleva taxas de juros futuros na véspera do Copom e projeta Selic a 14,25%

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções4 minutos atrás7 Visualizações

As principais taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) – termômetro das expectativas para a Selic – fecharam em alta nesta terça-feira (16). O movimento interrompeu quatro sessões de recuo e ocorreu na véspera das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

O que aconteceu com a curva DI

  • DI jan/27: 14,255% (ante 14,240%).
  • DI jan/29: 14,405% (ante 14,330%), alta de quase 8 pontos-base.
  • DI jan/36: recuou para 14,140% (ante 14,155%).

Na prática, os contratos de curto e médio prazos passaram a embutir um prêmio maior, sinalizando cautela de curto prazo, enquanto o vértice longo caiu, sugerindo leitura de que a trajetória da Selic pode continuar cedendo mais adiante.

Por que a Selic está no centro do radar

A ferramenta Opções do Copom apontava 79% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de 14,50% para 14,25% ao ano. Caso se confirme, seria o último ajuste de um ciclo iniciado em março.

Para o investidor, mudanças na Selic mexem:

  • Renda fixa: CDBs pós-fixados e Tesouro Selic tendem a acompanhar a taxa básica.
  • Bolsa: Juros menores podem aliviar o custo de capital das empresas.
  • Dólar: Diferença de juros entre Brasil e EUA influencia o fluxo de capital estrangeiro.

Influência internacional: Fed, Japão e petróleo

Nos EUA, a expectativa majoritária (99,4%) era de manutenção dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75% na primeira reunião presidida por Kevin Warsh. Mesmo assim, os yields dos Treasuries de 2 e 10 anos recuaram, indicando demanda por segurança.

Do lado oposto, o Banco do Japão elevou os juros para 1% ao ano, maior nível em 31 anos, reforçando que o ciclo global de aperto ainda não terminou.

No front geopolítico, sinalizações de acordo entre EUA e Irã derrubaram o preço do Brent para abaixo de US$ 80, aliviando perspectivas de inflação de energia.

Eleições e fiscal entram na conta

Pesquisas mostraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro. Segundo analistas, a leitura de mercado é de que um cenário fiscal ainda incerto continuará pressionando prêmios de risco, mesmo com a possível trégua nos combustíveis.

O que acompanhar daqui para frente

  • Decisão do Copom e o comunicado – pistas sobre pausa ou novos cortes.
  • Coletiva do Fed amanhã (17) – tom de Warsh sobre inflação americana.
  • Evolução do preço do petróleo após o possível acordo no Oriente Médio.
  • Tramitação de pautas que afetam o Orçamento no Congresso.

Para o investidor iniciante, entender como a curva DI antecipa cenários ajuda a calibrar expectativas para produtos pós-fixados, títulos prefixados e até para a volatilidade da Bolsa. Mesmo sem tomar decisões imediatas, observar o que acontece antes e depois do Copom é um bom exercício de educação financeira.

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