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Mesmo que o Copom opte por mais um corte de 0,25 ponto nesta quarta-feira (17), a principal inquietação dos gestores de fundos de crédito privado permanece: a expectativa de juros altos por um período prolongado. O Brasil já soma 15 meses com a Selic acima de 14% ao ano, e a mensagem que vem dos Estados Unidos – onde dados firmes de inflação esfriaram a ideia de afrouxamento monetário – reforça a leitura de que a taxa básica brasileira não cederá tão cedo.
No mercado de crédito, a maior parte das emissões é atrelada ao CDI, taxa que acompanha de perto a Selic. Um título precificado hoje a CDI + 2% chega a um custo nominal entre 17% e 18% ao ano, segundo cálculo da Tivio Capital. “É preciso ter uma margem muito boa para ganhar dinheiro pagando quase 20% ao ano”, observa Sami Karlik, head de crédito da gestora.
Alexandre Fernandes, gestor da Paramis Avantgarde, resume o dilema: “Suportar esse nível de juros por muitos meses é um desafio complexo para a maioria das empresas”.
Para o investidor, isso significa risco de crédito mais concentrado em nomes que já vinham fragilizados – cenário diferente do choque inesperado causado pela Americanas no início de 2023.
Depois de abrirem entre março e abril, os spreads – o adicional sobre o CDI pago pelas empresas – voltaram em maio ao patamar de CDI + 1% na média, mínima histórica. A média, porém, esconde forte dispersão: papéis de setores defensivos negociam a prêmios muito baixos, enquanto varejo e parte do segmento de saúde continuam pressionados.
Com o custo elevado, o ritmo de novas emissões caiu de cerca de uma por semana em 2023 para, no melhor cenário, uma por mês. Gestoras concentram-se em operações já listadas:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
A cautela aparece na duration – prazo médio dos títulos. Gestoras reduzem posições longas pouco remuneradas e mantêm liquidez: a Tivio opera com 25% a 30% em caixa, acima da média histórica. Já a Paramis, que chegou a segurar 40%, vem gradualmente baixando para perto de 20%.
Se a expectativa de inflação segue desancorada, ativos atrelados ao IPCA ganham espaço. Thais Prado, do ASA, nota que debêntures e fundos de infraestrutura combinam isenção fiscal com spreads mais ajustados após a recente correção da curva de juros.
Para o investidor pessoa física, a mensagem dos gestores converge: o cenário continua exigindo acompanhamento próximo dos emissores e disciplina na escolha dos prazos. Com o CDI acima de 14% ao ano, ganhar um pequeno prêmio adicional pode ser suficiente – errar menos passa a valer tanto quanto buscar retornos elevados.
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