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Os dados de inflação divulgados nos Estados Unidos voltaram a mexer com as apostas para os juros brasileiros. Depois de o índice de preços ao produtor (PPI) cair 0,3% em junho — contra expectativa de estabilidade — e a deflação de 0,4% no índice de preços ao consumidor (CPI) na véspera, os rendimentos (yields) dos Treasuries recuaram e abriram espaço para uma reprecificação na curva de juros doméstica.
Por volta do fechamento desta quarta-feira (15), o yield do Treasury de dois anos, normalmente o termômetro mais sensível à política monetária do Federal Reserve (Fed), cedia para 4,137% ao ano. O movimento derrubou o custo de financiamento global e levou a uma leve compressão nas taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) negociadas na B3.
Desde março o Banco Central iniciou um ciclo de afrouxamento monetário que já soma três cortes consecutivos de 25 pontos-base. A Selic está em 14,25% ao ano, patamar considerado ainda elevado, mas o mercado atribui praticamente 100% de chance para uma nova redução de 0,25 ponto na reunião de agosto.
A novidade está na reunião seguinte. As negociações na curva a termo embutem, agora, 30% de probabilidade de mais um corte em setembro, que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Antes da divulgação do PPI, essa aposta mal aparecia nos contratos.
Quando a maior economia do mundo mostra sinais de inflação mais branda, cresce a expectativa de que o Fed mantenha seus juros no intervalo atual de 3,50%–3,75% ao ano. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção no encontro de 29 de julho subiu para quase 90%.
Juros mais baixos (ou estáveis) nos EUA reduzem a pressão sobre moedas emergentes, como o real, e abrem espaço para que o Banco Central brasileiro continue cortando a Selic sem receio de fuga de capitais ou disparada do dólar. Por isso, os números do PPI e do CPI acabam repercutindo diretamente na curva local.
Imagem: Liliane de Lima
O mercado agora aguarda o índice de despesas de consumo pessoal (PCE) — métrica de inflação preferida do Fed — previsto para 30 de julho. Qualquer surpresa nesse dado pode mudar de novo as apostas para a política monetária norte-americana e, por consequência, para a Selic.
Do lado doméstico, as atenções se voltam para o Relatório Focus das próximas semanas e para a ata da última reunião do Copom, que podem oferecer pistas sobre a disposição do Banco Central em acelerar ou não o ritmo de cortes.
A mensagem, por enquanto, é clara: a inflação mais comportada nos EUA trouxe alívio suficiente para que investidores considerem, mesmo que timidamente, um quinto corte consecutivo na taxa básica brasileira antes do fim do terceiro trimestre.
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