Portland (EUA) – Consumidores ingressaram com uma ação coletiva contra a Nike, acusando a companhia de não repassar aos clientes valores que podem ser devolvidos pelo governo norte-americano após a anulação de determinadas tarifas de importação.
O processo foi apresentado no tribunal federal de Portland, Oregon, e se baseia na decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de fevereiro deste ano, que concluiu que o presidente não tinha autoridade, segundo a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), para impor alguns dos encargos alfandegários adotados no governo anterior.
De acordo com a petição, a Nike pagou cerca de US$ 1 bilhão em tarifas sobre produtos importados e, para compensar essa despesa, elevou o preço de alguns tênis entre US$ 5 e US$ 10 e de determinadas peças de vestuário entre US$ 2 e US$ 10. Com o possível reembolso das tarifas, a empresa seria beneficiada duas vezes: primeiro, ao cobrar mais dos consumidores, e novamente ao receber a restituição federal, afirmam os autores.
Os demandantes afirmam ainda que a Nike “não firmou qualquer compromisso legal” para devolver aos compradores os valores cobrados a mais. Sem intervenção judicial, dizem, a empresa ficará com um ganho “significativo” que deveria ser devolvido ao público.
Casos parecidos já foram movidos contra grandes companhias do varejo, incluindo a rede Costco. Ao todo, mais de 2.000 empresas procuraram o Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos buscando recuperar tarifas pagas sobre importações.
Imagem: Michael Sinkewicz FOXBusiness via foxbusiness.com
Em teleconferência realizada em março, a Nike informou que o trimestre fiscal que se encerra em agosto de 2026 deve ser o último em que os encargos alfandegários terão impacto material em sua margem bruta.
A ação coletiva surge poucas semanas depois de a Nike anunciar a demissão de aproximadamente 1.400 funcionários da área de Operações Globais. Segundo memorando interno assinado pelo diretor de operações, Venkatesh Alagirisamy, a maior parte das vagas eliminadas pertence ao setor de tecnologia na América do Norte, Ásia e Europa, correspondendo a menos de 2% do quadro mundial.
Procurada, a Nike preferiu não comentar o processo.