Ouro dispara 3% após pré-acordo entre EUA e Irã e mercado reduz apostas em alta de juros norte-americanos

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro2 horas atrás7 Visualizações

O preço do ouro chegou a US$ 4.376,90 por onça-troy no fim da manhã desta segunda-feira (15), avanço de 3,26% e a maior cotação em quase uma semana. O movimento foi impulsionado pelo anúncio de um entendimento preliminar entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo do petróleo mundial.

Alívio geopolítico impulsiona o metal

O ouro costuma ser procurado como proteção em momentos de incerteza. Desta vez, porém, o metal subiu justamente porque o risco geopolítico diminuiu: a normalização do fluxo de petróleo reduz a pressão inflacionária global e afasta, por ora, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos. Menores rendimentos em títulos de governo tornam o ouro — que não paga cupom — relativamente mais atrativo.

Por que o petróleo influencia o ouro?

  • Queda do petróleo: a reabertura do Estreito de Ormuz tende a aumentar a oferta da commodity e derrubou suas cotações nesta segunda-feira.
  • Inflação: preços de energia menores aliviam os índices de preços ao consumidor, especialmente nos EUA, onde combustíveis têm peso relevante.
  • Juros: com menor risco de inflação, o Federal Reserve (Fed) tem menos motivos para apertar a política monetária, cenário favorável ao ouro.

Dólar mais fraco amplia o rali

A moeda norte-americana recuou ao menor nível em dez dias. Como o ouro é precificado em dólar, a desvalorização da divisa reduz o custo do metal para investidores que operam em outras moedas, o que tende a aumentar a demanda.

Mercado reduz apostas em altas do Fed

Segundo a ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de um aumento de juros em dezembro caiu de 69% para 53% após o anúncio do acordo. O Fed decide a taxa básica nesta semana, e a expectativa majoritária é de manutenção. Qualquer sinal sobre o ritmo futuro de ajustes será monitorado de perto porque juros mais altos encarecem o “custo de oportunidade” de carregar ouro.

O que observar no Brasil

  • Selic e câmbio: se o dólar continuar mais fraco e os juros americanos se estabilizarem, o Banco Central brasileiro pode ter mais espaço para calibrar cortes na Selic sem pressionar o real.
  • Fundos atrelados ao ouro: no mercado local, a variação do metal costuma ser acessada via fundos ou ETFs. O desempenho em reais depende tanto da cotação internacional quanto do câmbio.
  • Renda fixa: a eventual redução de prêmios de risco lá fora pode influenciar as taxas dos títulos públicos brasileiros, impactando quem investe em Tesouro Direto ou CDBs atrelados ao CDI.

Investidores seguem atentos aos desdobramentos do acordo entre EUA e Irã e, sobretudo, ao comunicado do Fed nesta semana. Qualquer mudança na trajetória dos juros norte-americanos tende a repercutir em diversos ativos, do ouro às ações e à renda fixa global.

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