Os contratos futuros de ouro com vencimento em agosto encerraram a sexta-feira (10) em queda de 0,65%, cotados a US$ 4.113,70 por onça-troy na Comex, divisão de metais da Nymex. Mesmo com a leve baixa semanal de 0,26%, o metal acumula perdas próximas de 20% em relação ao recorde registrado em janeiro.
Por que o ouro perdeu força?
- Juros americanos: o mercado segue apostando que o Federal Reserve manterá a política monetária em território restritivo para conter a inflação. Taxas mais altas elevam o rendimento dos títulos públicos dos EUA, concorrentes diretos do ouro porque pagam juros, enquanto o metal não gera fluxo de caixa.
- Cenário macro deteriorado: sinais de desaceleração global e incertezas geopolíticas aumentam a busca por liquidez em dólar, reduzindo o apetite por posições em commodities metálicas.
- Petróleo e dólar em queda: mesmo com recuos pontuais nessas duas variáveis — que costumam sustentar o ouro como proteção — o movimento não foi suficiente para segurar o preço do metal.
Do “movimento de capitulação” à “fase de consolidação”
Para Ole Hansen, estrategista de commodities do Saxo Bank, o ouro já teria passado pela fase de capitulação — quando investidores liquidam posições a qualquer preço — e agora entra em um período de consolidação. Segundo ele, isso não significa retomada imediata da tendência de alta.
Impacto para o investidor brasileiro
- Câmbio: o ouro é precificado em dólar. Se a moeda americana cair ante o real, o retorno em reais tende a ser ainda menor. Por outro lado, uma alta do dólar poderia atenuar a perda.
- Renda fixa local: com a Selic em níveis elevados, títulos públicos indexados ao CDI ou prefixados competem com a tese de “porto seguro” do ouro, oferecendo rendimento contratado e menor volatilidade.
- Exposição via B3: quem investe em ETFs de ouro ou recebe cota de fundos multimercados pode sentir o impacto direto no valor da cota. É importante observar a parcela que o metal representa na carteira e o horizonte de longo prazo geralmente associado a esse tipo de proteção.
Contexto global: juros, inflação e geopolítica
A continuidade da postura “hawkish” do Fed mantém os rendimentos dos Treasuries em patamar elevado, reduzindo o apelo de ativos que não pagam juros. Ao mesmo tempo, as negociações entre Estados Unidos e Irã perdem tração após o fim de um cessar-fogo, mas até agora não houve reflexo significativo sobre o petróleo nem sobre o ouro.
O que acompanhar daqui para frente
- Próxima reunião do Federal Reserve e a sinalização para o ritmo de cortes ou manutenção de juros.
- Evolução da inflação nos EUA, principal variável para o rumo da política monetária.
- Comportamento do dólar frente ao real, já que variações cambiais impactam diretamente o preço do ouro para o investidor doméstico.
- Fluxo de capital para ETFs de ouro globais, indicador de apetite ou aversão ao risco.
Por ora, a combinação de juros altos e busca por renda fixa segue limitando a valorização do metal, que permanece 20% abaixo do recorde de janeiro. Para o investidor, a notícia reforça a importância de acompanhar a política monetária americana e o câmbio ao avaliar a fatia de ouro na carteira.