Ouro devolve 25% do rali em 2026; BTG vê espaço para mineradoras latino-americanas

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções7 horas atrás7 Visualizações

O ouro chegou a US$ 5.595 por onça no fim de janeiro, mas devolveu cerca de 25% até o início de junho. O recuo acendeu o alerta entre investidores que usam o metal como “porto seguro”, mas o BTG Pactual interpreta a correção como técnica e temporária, enxergando preços favoráveis nas ações de mineradoras latino-americanas.

Por que a cotação desandou

Duas frentes pesaram sobre o metal:

  • Resiliência da economia dos EUA – O relatório de emprego (payroll) de 5 de junho mostrou criação de vagas acima do esperado, reduzindo apostas de corte de juros pelo Federal Reserve.
  • Inflação teimosa – O CPI de maio marcou 4,2% e o núcleo do PCE ficou em 3,3%, ambos distantes da meta de 2%. Juros altos por mais tempo aumentam a atratividade dos títulos do Tesouro norte-americano, que pagam cupom, enquanto o ouro não gera renda.

No pregão pós-payroll, os contratos para agosto cederam 3,1%, a maior queda em três meses. Na semana, o tombo chegou a 5%.

Financialização altera o comportamento do metal

Hoje, cerca de dois terços da demanda global vêm de investidores financeiros. Essa “financialização” faz o ouro oscilar mais em linha com ativos de risco. Enquanto fundos reduziram posições compradas, bancos centrais seguiram acumulando: foram 244 toneladas líquidas no 1º trimestre, acima da média histórica de 157 t.

BTG projeta US$ 5.000 por onça

Para o banco, a demanda estrutural permanece, sustentada por compras de países emergentes que ainda possuem participação abaixo da média global de 28% das reservas em ouro. A projeção do BTG é de US$ 5.000 por onça em 2026 e US$ 4.900 em 2027.

Mineradoras entram no radar

Em vez de exposição direta ao metal, o BTG prefere ações de mineradoras que ficaram mais baratas após a correção. Entre os nomes cobertos, o banco destaca:

  • Aura Minerals – queda acumulada de 39%; negocia a 0,6x P/NAV e 4,5x EV/Ebitda projetado para 2026; preço-alvo de US$ 122.
  • Compañía de Minas Buenaventura – retração de 21%; operação da mina San Gabriel pode levar produção a 120 mil onças em 2027; preço-alvo de US$ 30.
  • Aris Mining – recuo de 23%; negocia a 0,4x P/NAV, desconto de 40% ante pares; preço-alvo de US$ 37.

O que observar se você investe do Brasil

  • Câmbio – O ouro é precificado em dólar. Valorização do real pode reduzir ganhos em reais; desvalorização tende a ampliar retornos.
  • Como acessar – BDRs listados na B3, ETFs atrelados ao metal (ex.: GOLB11) ou fundos focados em mineração oferecem exposição sem operar lá fora.
  • Risco setorial – Custos de energia, royalties e questões ambientais podem impactar a rentabilidade das mineradoras.

Fique de olho

Juros norte-americanos, inflação global e variação do dólar permanecem como principais vetores para o preço do ouro. Mudanças nesses indicadores tendem a refletir rapidamente tanto na commodity quanto nas ações das empresas do setor.

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