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O pregão desta quarta-feira (3) expôs dois vetores que vêm ganhando força nas mesas de operações: a possibilidade de o ciclo de cortes da Selic terminar antes do previsto e o risco de novas barreiras comerciais dos Estados Unidos. O resultado foi um recuo de 2,22% do Ibovespa, para 170.000 pontos, menor nível desde janeiro.
Nas últimas semanas economistas de grandes instituições — entre elas BTG Pactual, XP e Barclays — passaram a projetar uma Selic mais alta por mais tempo. O BTG, por exemplo, já vê a taxa em 14,25% em 2026 e 12,50% em 2027. Na prática, o mercado interpreta que o Banco Central pode interromper a flexibilização já na próxima reunião, caso os sinais de inflação ou de instabilidade global persistam.
Para o investidor iniciante, uma Selic mais alta tende a:
Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) captaram rapidamente o novo cenário:
Quanto mais longo o vencimento, maior a parcela de risco fiscal embutida — fator que pesa nos prêmios exigidos pelos investidores para emprestar ao governo.
Na mesma sessão, o presidente norte-americano propôs tarifas adicionais de até 12,5% sobre aço e derivados de 60 países, incluindo o Brasil. O anúncio afeta diretamente siderúrgicas listadas em São Paulo, cuja tese de investimento depende da demanda de mercados desenvolvidos. Não por acaso, 71 das 79 ações do Ibovespa fecharam em queda.
Imagem: Getty s
A busca por proteção se refletiu também no câmbio: o dólar à vista avançou 1,15%, a R$ 5,07. No mês, a moeda já sobe 0,5%, mesmo após ter acumulado queda expressiva no primeiro trimestre.
Para quem investe em renda fixa ligada à variação cambial ou em ações exportadoras, movimentos no dólar podem aliviar parte das perdas da Bolsa, mas elevam o custo de vida pela via de produtos importados — um risco adicional para as projeções de inflação.
Com giro financeiro de R$ 20,8 bilhões, 14% acima da média anual, o índice quebrou o suporte de 172 – 173 mil pontos e flerta agora com a zona dos 170 mil. Segundo análise gráfica da Genial Investimentos, quedas abaixo desse patamar abririam espaço para 165 mil e 154 mil pontos. Para retomar fôlego comprador, o índice precisaria voltar às médias móveis entre 179 mil e 182 mil pontos — um caminho que exigiria fluxo positivo consistente.
Em um ambiente de juros mais altos, dólar volátil e incertezas externas, o investidor iniciante deve redobrar atenção à própria tolerância a risco e ao horizonte de investimento, diversificando a carteira de acordo com seus objetivos financeiros.
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