Em pouco menos de dois meses de guerra no Oriente Médio, a Petrobras (PETR3; PETR4) ampliou seu valor de mercado em R$ 97,7 bilhões, avançando de R$ 532,2 bilhões para R$ 629,9 bilhões.
O desempenho reflete o salto do petróleo no mercado internacional, fator que também sustentou os ganhos recentes do Ibovespa. No ponto mais alto do período, a capitalização da estatal ultrapassou R$ 680,2 bilhões.
Do início do ano até agora, os papéis preferenciais PETR4 acumulam alta de 49,97%, enquanto as ações ordinárias PETR3 sobem 56%. Entre outras companhias do setor, as variações foram menores:
No começo do confronto, o fechamento do Estreito de Ormuz levou a um aumento de cerca de 50% no preço do petróleo, segundo Lucas Lima, analista da VG Research. Como a área de Exploração e Produção responde por quase 80% do Ebitda da companhia, o repique da commodity impulsionou diretamente os resultados esperados pela empresa.
Felipe Sant’Anna, do Grupo Axia Investing, lembra que a Petrobras concentra sua produção em hidrocarbonetos, sobretudo no pré-sal. A valorização do barril, portanto, atrai investidores em busca de oportunidades ligadas ao preço da commodity.
Lima acrescenta que a estatal opera com custos competitivos e adota menos hedge do que concorrentes como PetroRecôncavo e Brava, o que amplia os ganhos em momentos de alta do petróleo.
Imagem: Sergio Moraes via valorinveste.globo.com
Dados da B3 mostram entrada líquida de R$ 68 bilhões por parte de investidores estrangeiros em 2026, enquanto institucionais e pessoas físicas residentes registram saída. O fluxo externo favorece papéis de alta liquidez, caso de Petrobras.
Se o barril se mantiver acima de US$ 80, Lima projeta dividend yield de 7,5% para 2026, com possibilidade de aproximação de 10% caso o preço médio fique entre US$ 80 e US$ 85. Para Sant’Anna, a distribuição de proventos depende mais de decisões internas e fatores políticos do que, exclusivamente, da trajetória da commodity.
Mesmo diante de um cessar-fogo, Lima avalia ser difícil o preço recuar ao nível anterior à guerra, em torno de US$ 60. Segundo ele, o mercado deve exigir prêmio geopolítico, e países tendem a recompor reservas estratégicas, sustentando cotações mais elevadas.