Poupança tem respiro de R$ 2,6 bi em maio, mas juro alto sustenta migração para renda fixa

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa6 minutos atrás9 Visualizações

A caderneta de poupança registrou entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio, segundo o Banco Central. Foi a primeira vez, desde 2026, que os depósitos superaram os saques. O movimento elevou o saldo total para R$ 1,014 trilhão.

Apesar do alívio, o acumulado de 2026 continua negativo em R$ 39,1 bilhões, evidenciando que a fuga estrutural do investidor segue em curso.

Por que maio foi diferente?

  • Efeito renda: início do ano apresentou mercado de trabalho aquecido e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
  • Sazonalidade: antecipação de 13º salário de servidores e pagamentos da Previdência concentrados em maio.
  • Desenrola 2.0: renegociação de dívidas fez recursos transitarem brevemente pela poupança antes de quitarem compromissos.
  • Busca de segurança: episódios de estresse bancário reforçaram a imagem de proteção da caderneta, que conta com garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição.

Para José Ramos Rocha Neto, vice-presidente do Bradesco, a melhora é pontual: “A concorrência maior de outros produtos financeiros e a transformação cultural do investidor devem manter os saldos de lado”.

Selic alta continua pressionando

Com a taxa Selic em 10,50% ao ano, a poupança rende atualmente 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR), algo perto de 6,2% ao ano. O retorno fica bem abaixo do CDI — que acompanha de perto a Selic — e de títulos públicos indexados, como o Tesouro Selic, além de CDBs e fundos DI.

João Luís Debom, da Supernova Investimentos, lembra que “as condições macroeconômicas não mudaram: CDI e títulos públicos seguem pagando muito mais que a caderneta”.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Opções que atraem o investidor

  • Tesouro Selic: título do governo federal com liquidez diária e rendimento atrelado à Selic.
  • Fundos DI: carteiras que acompanham de perto o CDI, já descontadas as taxas de administração.
  • CDBs de liquidez diária: podem render próximo ou até acima de 100% do CDI, dependendo do emissor.
  • Tesouro Reserva 24h: modalidade lançada em maio, disponível para resgates em qualquer horário, que captou R$ 2 bilhões no primeiro mês.

Segundo João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria, “a busca por rentabilidade e liquidez é um caminho sem volta”, o que tende a continuar drenando recursos da poupança.

Reflexo no crédito imobiliário

Os depósitos na poupança financiam boa parte dos empréstimos imobiliários pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Com o saldo estagnado, bancos já buscam fontes alternativas, como LCIs e letras hipotecárias, para sustentar a oferta de crédito habitacional.

O que observar daqui para a frente

  • Trajetória da Selic: novas quedas poderiam tornar a poupança relativamente mais competitiva, mas ainda não há sinal de cortes agressivos.
  • Inflação: se voltar a ganhar força, títulos indexados ao IPCA podem atrair ainda mais recursos.
  • Dólar e cenário externo: mudanças bruscas podem afetar a curva de juros e, por tabela, a atratividade dos diversos produtos de renda fixa.

Enquanto a Selic permanecer em dois dígitos, a tendência de migração para aplicações que acompanham o CDI ou oferecem prêmios adicionais deve continuar pressionando a poupança — mesmo após o pequeno fôlego registrado em maio.

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