WASHINGTON, — O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, anunciou nesta quarta-feira (data no original) que continuará como integrante do Conselho de Governadores do banco central norte-americano depois que seu mandato na presidência terminar no próximo mês. Ele ressaltou, entretanto, que não pretende agir como um “presidente-sombra”.
A declaração foi feita na última coletiva de imprensa de Powell como chefe do Fed, logo após o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidir manter a taxa básica de juros na faixa de 3,5% a 3,75%.
Horas antes da coletiva, a Comissão Bancária do Senado aprovou o nome do ex-governador Kevin Warsh para sucedê-lo na presidência do Fed, enviando a indicação ao plenário da Casa.
Questionado sobre seu papel após deixar a chefia, Powell afirmou que pretende manter “perfil baixo” e participar de forma construtiva das discussões: “Há apenas um presidente do Federal Reserve. Quando Kevin Warsh for confirmado e empossado, ele será esse presidente”, disse. “Não farei o papel de presidente-sombra.”
Powell revelou que planejava se aposentar ao fim do mandato, mas decidiu continuar devido a uma investigação do Departamento de Justiça (DoJ) iniciada no governo Trump. O inquérito apurava se ele teria fornecido informações enganosas ao Congresso sobre a reforma da sede do Fed em Washington.
Segundo Powell, as intimações emitidas pela procuradora do Distrito de Colúmbia, Jeanine Pirro, tinham motivação política. A Justiça anulou as ordens, classificando-as como “pretexto” para pressioná-lo a reduzir juros ou renunciar. Na sexta-feira, Pirro informou que o DoJ arquivou o caso e transferiu a apuração para o inspetor-geral do Fed, Michael Horowitz, reservando-se o direito de retomar o processo caso haja recomendação criminal.
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Para Powell, as ações judiciais contra o banco central representam ameaça sem precedentes à autonomia da política monetária: “Nossa capacidade de atuar sem influência política é fundamental para a economia dos Estados Unidos”, frisou.
O mandato de Powell como governador vai até 31 de janeiro de 2028, mas ele evitou confirmar se ficará até o fim. Disse que permanecerá “pelo tempo necessário” até que a investigação seja encerrada “com total transparência” e sairá quando considerar apropriado.
Powell não será o primeiro ex-presidente do Fed a continuar no Conselho. Marriner Eccles, que comandou a instituição de 1934 a 1948, seguiu como governador até 1951.
Nomeado para a presidência do Fed em 2018 pelo então presidente Donald Trump, Powell enfrentou ameaças públicas de demissão por se recusar a cortar juros. Mesmo assim, encerra o mandato reafirmando que não buscará influenciar seu sucessor.