A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, mantém o juro básico em patamar elevado, mas reforça a transição para um ciclo de cortes graduais. Com essa taxa ainda nos dois dígitos, especialistas indicam ajustes pontuais na carteira, preservando o espaço da renda fixa e aproveitando oportunidades em ativos de maior risco.
Tesouro Selic: continua como peça de liquidez do portfólio, segundo a SulAmérica Investimentos, que orienta manter participação relevante em papéis pós-fixados.
Tesouro IPCA+: apontado como melhor relação risco × retorno. As NTN-B de vencimento em dez anos pagam juro real próximo de 7,5% ao ano, nível visto como atrativo por Marcelo Mello, CEO da SulAmérica. João Arthur, da Suno Consultoria, sugere casar o prazo do título ao perfil de risco do investidor, evitando longos vencimentos para quem não tolera volatilidade.
Tesouro Prefixado: pode reagir primeiro à queda da Selic, mas requer cautela diante das incertezas fiscais, afirmam os analistas.
A abertura recente dos spreads, estimulada por episódios de estresse em empresas como Raízen, GPA e Braskem, criou janela para travar taxas mais altas em companhias sólidas. Setores de energia, bancos, saneamento e concessões rodoviárias seguem como preferidos de gestores como Daniel Palaia, da Asset1. A XP mantém visão “otimista, porém cautelosa”, frisa a analista Mayara Rodrigues.
Esperar que a Selic chegue ao piso pode significar “deixar dinheiro na mesa”, alerta Luan Aral, da Genial Investimentos. Small caps e empresas ligadas ao consumo doméstico, varejo e construção civil são citadas como alvos de valorização. Para reduzir risco, Régis Chinchila, da Terra Investimentos, recomenda aportes periódicos. Quem busca menor volatilidade pode mirar grandes bancos, energia e seguradoras, sugere Vagner Franceschi, do Sistema Ailos.
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O corte de 0,25 p.p. tende a favorecer os FIIs, hoje negociados, em média, com 10% de desconto sobre o valor patrimonial, informa Isabella Almeida, da Rio Bravo. Nos fundos de tijolo, o alívio do juro de longo prazo pode sustentar preço das cotas, ainda que a trajetória de queda seja moderada. Já os fundos de papel atrelados ao CDI devem sofrer leve redução dos proventos, mas seguem pagando rendimentos considerados atrativos, avalia Marx Gonçalves, da XP.
A Selic elevada mantém o real forte, limitando no curto prazo a atratividade de aplicações externas, observa Fernando Gonçalves, do Itaú Unibanco. Para Danilo Coelho, porém, a valorização da moeda brasileira cria ponto de entrada em ativos internacionais, pensando no longo prazo. Robson Ferreira destaca ETFs como instrumento de baixo custo para exposição diversificada a mercados estrangeiros.
Para a maioria das casas consultadas, a taxa básica deve encerrar o ciclo próximo a 13% (SulAmérica e Suno) ou 13,5% (XP), indicando cortes lentos e previsíveis. Nesse cenário, a combinação de renda fixa indexada à inflação, crédito privado selecionado e posições táticas em ações sensíveis aos juros desponta como estratégia principal para investidores dispostos a balancear segurança e potencial de ganho.