A indústria automotiva brasileira registrou retração em abril, com queda de 9,5% na produção em relação a março, totalizando 238,5 mil unidades entre carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus. As vendas no varejo diminuíram 7,8% no mesmo período, atingindo 248,3 mil veículos, informou nesta sexta-feira ( 3 ) a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Na comparação com abril de 2025, porém, houve avanço de 2,4% na produção e de 19% nos emplacamentos.
De janeiro a abril, as montadoras produziram 872,6 mil veículos, alta de 4,9% frente aos quatro primeiros meses de 2025. Os licenciamentos somaram 873,5 mil unidades, aumento de 14,9% na mesma base de comparação.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o mercado doméstico tem superado as expectativas e que as projeções para 2026 podem ser ajustadas no próximo mês. Atualmente, a entidade calcula crescimento de 2,7% nas vendas anuais, para 2,76 milhões de unidades. Para a produção, a previsão é de expansão de 3,7%, totalizando 2,74 milhões de veículos. O cenário contempla avanço de 2,8% no segmento de leves e recuo de 0,5% nos pesados.
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Questionado sobre a proposta do governo de elevar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, Calvet defendeu a realização de testes antes da mudança, a fim de verificar a compatibilidade dos motores em uso no país. “Somos favoráveis aos biocombustíveis, mas pedimos cautela para definir o novo percentual”, declarou.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sinalizou que pretende decidir sobre o assunto ainda neste semestre. O conflito no Oriente Médio, que elevou os preços internacionais dos combustíveis, pressiona o debate. Segundo o ministério, o aumento da mistura poderia reduzir, ou até zerar, as importações de gasolina. Em 2025, o Brasil importou 3,5 bilhões de litros do combustível, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).