A Raízen inicia, na próxima semana, mais uma rodada intensiva de conversas com seus credores para tentar fechar um plano de recuperação extrajudicial que envolve uma dívida total de R$ 65 bilhões. O prazo judicial para apresentar a proposta termina em meados de junho.
Recuperações extrajudiciais são pactos firmados fora dos tribunais, mas homologados pela Justiça. A empresa precisa do aval de, no mínimo, 50% do valor total da dívida abrangida pelo plano. Se atingir essa faixa, os demais credores são automaticamente incluídos nas mesmas condições.
No caso da Raízen, o objetivo é chegar a esse quórum somando o apoio de:
O grupo que ainda não sinalizou apoio são os bondholders, investidores que detêm títulos da dívida internacional da companhia. Sem eles, a Raízen calcula que ainda poderia alcançar o percentual necessário com a base doméstica.
Os bondholders exigem melhores condições para a parcela da dívida que não será convertida em ações. Segundo fontes, o ponto sensível é a taxa de juros para o alongamento do vencimento: a empresa teria proposto algo entre 7% e 7,5% ao ano. No mercado internacional, onde se comparam rendimentos ao Treasury norte-americano ou ao CDI brasileiro, essa remuneração vem sendo considerada insuficiente diante do risco.
Para efeito de comparação, a Selic está hoje em 10,50% ao ano. Uma taxa de 7% em dólares pode até parecer alta se convertida diretamente, mas precisa compensar o risco cambial e de crédito. É nessa conta que os investidores externos pressionam por um prêmio maior.
Sem o apoio mínimo de 50%, a empresa teria de recorrer à recuperação judicial (RJ), processo mais longo, caro e sujeito a maior incerteza. Executivos ligados aos credores estrangeiros afirmam que, com a Shell — sócia da Raízen — mantendo posição firme nas negociações, aumenta a probabilidade de a companhia ser empurrada para a RJ.
Imagem: Divulgação
Em um cenário de RJ, pagamentos podem ser suspensos temporariamente, e a negociação passa a ter supervisão direta do Judiciário. Normalmente, isso afeta preços de mercado de ações e títulos, pois o risco de não pagamento cresce.
Empresas de capital intensivo sofreram nos últimos anos com:
Nesse ambiente, renegociar prazos e taxas virou estratégia de sobrevivência para companhias alavancadas. A Raízen, ao optar pela via extrajudicial, tenta evitar a exposição e a rigidez de um processo judicial completo.
As próximas semanas serão decisivas. Caso o plano alcance o apoio necessário, a companhia ganha fôlego para reorganizar seu cronograma de pagamentos. Se não, o mercado já precifica a possibilidade de uma RJ, cenário que costuma alongar a solução e elevar o risco percebido pelos investidores.
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