Redes elétricas de Mato Grosso, Acre e Rondônia ficam saturadas com expansão da energia solar doméstica

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A rápida instalação de painéis solares em residências, pequenos comércios e propriedades rurais levou as redes de distribuição de Mato Grosso, Acre e Rondônia ao limite técnico, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O órgão já recomendou a suspensão de novas conexões de micro e minigeração distribuída (MMGD) nesses estados até que a infraestrutura seja reforçada.

Situação nos estados

Em comunicado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o ONS informou que a malha de Mato Grosso — que hoje soma mais de 2,8 GW de potência solar instalada e pode ultrapassar 3,5 GW até 2030 — opera no máximo de sua capacidade. O excesso de geração chega a ultrapassar 900 MW perto do meio-dia, horário de menor consumo, elevando o risco de instabilidade e desligamentos em cascata. O problema repercute nas redes do Acre e de Rondônia, interligadas ao sistema mato-grossense. Pessoas do setor indicam que Mato Grosso do Sul caminha para o mesmo cenário.

O ONS reforçou à Câmara Setorial Temática da Energia Elétrica em Mato Grosso que, “enquanto persistirem as condições técnicas, novas conexões de centrais geradoras não serão viáveis na região”. Pequenos consumidores residenciais ainda conseguem se ligar à rede, mas solicitações de maior porte estão sendo negadas.

Por que a rede não suporta

A infraestrutura atual foi desenhada para receber energia de grandes usinas, não de milhares de pequenos geradores espalhados. Quando vários produtores injetam excedentes simultaneamente, a capacidade dos alimentadores locais é ultrapassada. Além disso, muitos proprietários ampliam seus sistemas sem avisar a distribuidora, gerando volumes superiores aos autorizados.

Um caso citado pela Aneel mostra um cliente da CPFL Energia habilitado a fornecer até 75 kW, mas que passou a entregar picos acima de 140 kW. A agência determinou uma varredura nas instalações já conectadas para identificar produções acima do permitido.

Expansão da fonte solar

Em 2025, a potência solar em operação no país superou 60 GW, sendo 42,05 GW provenientes de micro e minigeração e 17,95 GW de grandes usinas fotovoltaicas. A participação da fonte na matriz elétrica nacional chegou a 23%, atrás apenas da hídrica, que detém 43,3%.

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Imagem: toda parte via redir.folha.com.br

Próximas medidas

A Aneel prepara mudanças regulatórias para coibir ligações clandestinas e ajustar o modelo tarifário, com sinais horários e locacionais que reflitam melhor o custo provocado por cada usuário. Distribuidoras passaram a usar drones e inteligência artificial para fiscalizar sistemas suspeitos.

Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), representada pela vice-presidente Bárbara Rubim, a solução passa também pelo incentivo ao armazenamento de energia, tanto centralizado quanto distribuído, a fim de aliviar a sobrecarga em horários de baixa demanda.

Atualmente, o setor classifica a geração distribuída em três faixas: microgeração (até 75 kW), minigeração (de 75 kW a 5 MW) e usinas solares acima de 5 MW. O gargalo se concentra nos dois primeiros grupos, formados por mais de 7 milhões de consumidores que produzem a própria eletricidade e injetam o excedente na rede.

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