As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) terminaram a quinta-feira (14) em queda, corrigindo parte do salto observado na sessão anterior — movimento batizado no mercado como “Flávio Day 2.0”.
Pontos-base são centésimos de ponto percentual; variações pequenas indicam ajustes, não mudanças de direção consolidadas. Esses contratos refletem as expectativas para a Taxa Selic em diferentes prazos, servindo de termômetro para renda fixa, crédito e custo de capital das empresas.
Segundo operadores, o pregão anterior precificou o risco político após a divulgação de um áudio que liga o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A repercussão elevou os prêmios de risco em mais de 30 pontos-base na quarta-feira. Com a poeira baixando e o leilão de títulos do Tesouro Nacional tendo volume reduzido nesta quinta, parte desse prêmio foi devolvida.
Apesar do alívio, especialistas lembram que a correção não anulou a alta da véspera. A curva ainda carrega prêmios relacionados à percepção de que o governo enfrenta dificuldades para ancorar as contas públicas e de que o quadro eleitoral de outubro continua incerto.
Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos Treasuries subiram:
Imagem: Liliane de Lima
Juros mais altos lá fora tendem a atrair capital para ativos em dólar, pressionando moedas emergentes e podendo dificultar cortes adicionais na Selic, pois uma elevação do prêmio de risco externo encarece o financiamento do governo brasileiro.
Enquanto esses pontos não se definem, a expectativa é de manutenção da volatilidade nos DIs, exigindo do investidor atenção redobrada ao horizonte de aplicação e ao seu perfil de risco.
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