A indústria de fundos de investimento começou o segundo trimestre com sinal de alerta. Segundo a Anbima, abril terminou com resgates líquidos de R$ 18,1 bilhões, revertendo o ritmo positivo visto desde o início de 2024.
A maior parte das saídas (R$ 19,3 bilhões) veio dos fundos de renda fixa, especialmente daqueles que compram debêntures e outros títulos corporativos de prazo mais longo. O movimento ganhou força depois dos pedidos de recuperação extrajudicial de Raízen (RAIZ4) e GPA (PCAR3), que elevaram a aversão a risco no mercado de crédito.
Para quem entrou recentemente em fundos de crédito privado, vale lembrar que os prazos de resgate podem chegar a 90 dias. Dessa forma, parte das ordens feitas em março e abril só aparece nas estatísticas com atraso.
Mesmo com a Selic no menor nível desde 2021, around 10,50% ao ano, o investidor pessoa física continua encontrando bons retornos nos títulos públicos atrelados ao CDI. A comparação direta tem levado a uma avaliação mais crítica sobre o prêmio exigido para carregar debêntures. Quando surgem notícias negativas de crédito, o diferencial precisa aumentar; até lá, a saída de recursos tende a pressionar o preço desses papéis e, por consequência, a cota dos fundos.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Além dos resgates na renda fixa, multimercados (-R$ 5,4 bi) e fundos de previdência (-R$ 3,4 bi) fecharam o mês no vermelho. Ainda assim, o patrimônio líquido total da indústria bateu recorde de R$ 11,05 trilhões, reforçando que o fluxo negativo de abril foi um ajuste dentro de um ano que ainda soma R$ 159 bilhões de captação positiva.
Por ora, o mercado aguarda novas emissões de debêntures para medir o apetite dos investidores. Até que o fluxo volte a se normalizar, a precificação dos papéis já em carteira deve permanecer volátil, mantendo a cautela nos fundos de crédito privado nas próximas leituras da Anbima.
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