
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista à CNN Brasil exibida na noite de sábado, 17 de outubro, que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seu amigo e filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu-se repetidamente com ministros. Ela também declarou que pretende firmar um acordo de delação premiada e colaborar com as investigações sobre sua relação com Lulinha. A equipe de comunicação do presidente, candidato à reeleição, afirmou que ele desconhece os fatos relatados.
As declarações ocorrem no contexto da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Luchsinger, de 41 anos e diretora da RL Consultoria e Intermediações, foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação de uso de tornozeleira eletrônica. A Polícia Federal também investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo a empresária e Lulinha.
Na entrevista, Luchsinger contestou a declaração anterior de Lula de que o filho nunca havia se encontrado com integrantes do alto escalão do governo federal. Segundo ela, os encontros eram de conhecimento do presidente.
“É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros. Inclusive, viajou para a casa do ministro Camilo [Santana] no Ceará”, afirmou. A empresária acusou Lula de mentir ao negar os contatos do filho com ministros.
Ao criticar o presidente, declarou: “Presidente que não sabe o que está ocorrendo na antessala dele é mentiroso ou senil”. Também mencionou uma entrevista concedida por Lula à Rede Globo dois dias antes, na qual ele afirmou não saber que o Bolsa Família não havia sido reajustado durante seu governo.
Luchsinger disse estar disposta a colaborar com as investigações e afirmou que, em uma eventual delação, não pouparia Lula nem Lulinha. A declaração expressa sua intenção de buscar um acordo, não a conclusão de uma negociação.
Outro ponto da entrevista foi a reação de Luchsinger às ocasiões em que Lula a chamou publicamente de “pilantra”. Na avaliação dela, o presidente adotou critérios diferentes ao criticá-la sem atribuir responsabilidade semelhante ao próprio filho.
“Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, declarou à CNN.
Lula utilizou o termo para se referir à empresária pela primeira vez em entrevista à TV Globo, em 27 de agosto. Menos de dois meses depois, às vésperas do primeiro turno da eleição, voltou a empregá-lo e a comparou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes do Banco Master.
Luchsinger afirmou que já apoiou Lula publicamente e que o defendeu quando ele foi preso, em abril de 2018. Disse, porém, que deixou de acreditar na inocência do presidente e criticou a forma como passou a ser apresentada por ele.
A empresária também relatou ter recebido ameaças de morte e afirmou que suas duas filhas sofreram intimidações. Ela atribuiu às críticas feitas por Lula em entrevistas uma contribuição para sua exposição pública e disse considerar que foi usada como “boi de piranha” no episódio.
Em nota enviada à CNN, a equipe de comunicação de Lula declarou que o presidente “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”. A manifestação afirma que ele nunca manteve interlocução com a empresária, não recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas.
A equipe também declarou que não existe contrato do governo federal com Luchsinger.
Na resposta, os representantes do presidente questionaram a divulgação das acusações às vésperas do segundo turno. Afirmaram que outros processos eleitorais brasileiros já tiveram denúncias sem comprovação utilizadas para manipular a opinião pública e classificaram as declarações como uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores.
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