![Setor de jogos pressiona Senado dos EUA a barrar apostas esportivas em “prediction markets” no CLARITY Act 4 [Criptomoedas] Setor de jogos pressiona Senado dos EUA a barrar apostas esportivas em “prediction markets” no CLARITY Act](https://mlxc2yjmu1wd.i.optimole.com/w:1920/h:1080/q:mauto/f:best/https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Trader-Iniciante-2-17.webp)
Associações de cassinos, tribos indígenas e sindicatos norte-americanos enviaram carta ao Senado dos Estados Unidos solicitando mudanças no Digital Asset Market Clarity Act (CLARITY Act). O grupo pede que o texto deixe claro que contratos de eventos ligados a esportes — oferecidos por plataformas de prediction markets como Kalshi e Polymarket — não sejam regulados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), mas enquadrados como apostas esportivas tradicionais.
Desde 2024, plataformas de previsão vêm ampliando o cardápio de contratos: de eleições e preços de commodities passaram a aceitar palpites sobre resultados da NBA ou da NFL. Segundo a carta, isso representou “a maior expansão de jogos de azar na história recente dos EUA” sem passar por consultas públicas nem por legislações estaduais específicas.
Com o CLARITY Act em debate — projeto que transfere parte da regulação de criptoativos da SEC para a CFTC —, os signatários veem a oportunidade de “cortar o mal pela raiz”. O objetivo: incluir no texto um parágrafo que declare apostas esportivas fora do alcance da autarquia federal de derivativos.
Na visão dos grupos de jogos, a CFTC “não tem expertise nem infraestrutura” para supervisionar apostas nacionais. Já o presidente da agência, Michael Selig, defende que contratos sobre eventos futuros — mesmo que esportivos — são swaps e, portanto, cabem à autarquia.
Funcionam como bolsas em que investidores compram ou vendem contratos que pagam US$ 1,00 se determinado evento ocorrer (vitória de um time, aprovação de lei, resultado eleitoral). O preço do contrato — digamos, US$ 0,60 — reflete a probabilidade implícita de 60%.
Para iniciantes, a semelhança com opções e futuros atrai: a posição é binária, o risco é conhecido e o desembolso inicial costuma ser baixo. Porém, quando o tema envolve jogos, a diferença entre investimento regulado e aposta pode ficar difusa.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
A American Gaming Association calcula que estados já deixaram de arrecadar cerca de US$ 1,08 bilhão em impostos desde que as plataformas começaram a listar contratos esportivos. A estimativa considera o volume transacionado que, se estivesse em casas de apostas licenciadas, geraria taxação local.
Menos receita tributária pressiona orçamentos estaduais — parte destinada a educação e saúde — e acirra o lobby político. No Brasil, debate parecido surgiu em 2023, quando a taxação de bets online avançou no Congresso.
Se o CLARITY Act não pacificar o tema, especialistas acreditam que o embate pode chegar à Suprema Corte dos EUA. Em 2018, o tribunal já decidiu, no caso Murphy v. NCAA, que cabia aos estados legalizar apostas esportivas. Agora, teria de julgar se um contrato em blockchain sobre um jogo da NFL é derivativo financeiro ou aposta pura.
O CLARITY Act já foi aprovado na Câmara em julho de 2025 e alguns parlamentares projetam votação final no Senado até agosto de 2026. No entanto, questões sobre stablecoins, ética de parlamentares e “ações tokenizadas” ainda travam consenso. Até lá, a incerteza regulatória deve continuar pautando o preço de tokens ligados a plataformas de previsão e manter investidores em compasso de espera.
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