A antiga Story Protocol, blockchain voltada a licenciamento de propriedade intelectual, anunciou nesta quinta-feira (25) que passa a se chamar DATA Foundation e concentrará esforços em fornecer conjuntos de dados licenciados para empresas de inteligência artificial (IA).
Por que a mudança importa
Laboratórios de IA de ponta já esgotaram a maior parte do conteúdo público disponível na internet para treinar modelos avançados. Segundo a companhia, isso cria um gargalo multibilionário: os dados restantes são caros, de procedência duvidosa ou envolvem riscos legais. Ao oferecer dados verificados e com licença clara, a DATA Foundation tenta resolver esse “combustível” essencial para novos algoritmos.
O que é a DATA Foundation
- Layer-1 própria: a rede continuará sendo uma blockchain de primeira camada, o que permite registrar e rastrear cada contribuição de dados.
- Trace: registro on-chain que comprova a origem (proveniência) dos dados e as condições de uso para treinamentos de IA.
- Poseidon: camada de processamento que organiza e valida os conjuntos antes de disponibilizá-los aos clientes.
- Kled: aplicativo que paga usuários para gravar vídeos, sons ou outras informações do mundo real que não podem ser simplesmente “raspadas” da web.
Blockchain encontra IA
O uso de blockchain para registrar licenças ajuda a resolver três problemas típicos da IA:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
- Transparência: garante aos desenvolvedores que o material utilizado está em conformidade legal.
- Rastreabilidade: permite auditoria de cada item do dataset, algo crítico em disputas de direitos autorais.
- Remuneração: a rede distribui pagamentos diretamente aos criadores que contribuíram com dados originais.
Impactos para o investidor brasileiro
- Abertura de um novo nicho cripto: projetos que unem blockchain e IA ganharam visibilidade, especialmente durante o mercado em baixa das criptomoedas.
- Relação com o cenário macro: em um ambiente global de juros elevados, muitos investidores buscam ativos ligados à inovação para diversificar além de renda fixa atrelada à Selic.
- Risco regulatório: a questão de direitos autorais em datasets continua em discussão em várias jurisdições; isso pode influenciar a adoção comercial da plataforma.
- Volatilidade: tokens de projetos semelhantes costumam reagir fortemente ao noticiário de IA, o que exige atenção redobrada de iniciantes.
- Ausência de detalhes sobre tokenomics: até o momento, a empresa não divulgou mudanças em eventual token nem cronograma de distribuição.
Próximos passos divulgados
- Andrea Muttoni, antes presidente da Story, assume como CEO da DATA Foundation.
- Avi Patel, fundador da Kled, entra como chief data officer e conselheiro.
- Lançamento do Trace e integração completa com Kled estão nas prioridades de curto prazo.
- A empresa pretende escalar a coleta de dados de “mundo real”, como movimentos de cirurgiões ou hábitos de direção, considerados impossíveis de obter via raspagem da web.
Com a virada estratégica, a DATA Foundation se junta a outras plataformas cripto que redirecionam esforços para IA em busca de novas fontes de receita e relevância tecnológica. Para o investidor, o movimento reforça a tendência de convergência entre os dois setores e adiciona mais um ponto de atenção no monitoramento de riscos e oportunidades no mercado de ativos digitais.