![Taxas do Tesouro IPCA+ recuam após alívio geopolítico, mesmo com inflação de maio acima do previsto 4 [Renda Fixa] Taxas do Tesouro IPCA+ recuam após alívio geopolítico, mesmo com inflação de maio acima do previsto](https://mlxc2yjmu1wd.i.optimole.com/cb:tuAj.4b5/w:1500/h:966/q:mauto/f:best/https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/06/traderiniciante-1781319672.webp)
Quem acessou o Tesouro Direto nesta sexta-feira (12) encontrou as taxas dos papéis indexados à inflação em queda firme. O Tesouro IPCA+ 2040 passou de IPCA + 7,51% na véspera para IPCA + 7,33%; o vencimento 2032 desceu de IPCA + 8,21% para IPCA + 8,11%. No meio da tarde, a própria plataforma suspendeu negociações desses títulos, deixando disponíveis apenas os papéis pós-fixados à Selic por conta da volatilidade.
Os títulos IPCA+ – também chamados de NTN-B – pagam juro real, isto é, rendimento acima da variação do IPCA. Quando a inflação veio acima do esperado (0,58% em maio versus projeção de 0,53%), quem já possui esses papéis está protegido pela correção monetária embutida. Segundo Ricardo Trevisan, da Gravus Capital, isso aumenta a busca por NTNs-B como “seguro” contra a alta de preços, pressionando o rendimento para baixo.
A principal força de curto prazo, porém, foi externa. O anúncio de um possível fim das tensões entre Estados Unidos e Irã reduziu o prêmio de risco global, derrubou o preço do petróleo e provocou recuo de cerca de 4% nos contratos de DI para janeiro de 2031. Essa correção se estendeu à curva de juros inteira, refletindo nos papéis longos do Tesouro.
Além disso, o Tesouro Nacional ofertou menos NTN-B no último leilão, fator que costuma reforçar a queda das taxas quando a demanda permanece sólida.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Mesmo após o avanço do IPCA, o mercado não enxergou pressão de demanda suficiente para reverter a expectativa de início de corte na Selic. Porém, analistas ressaltam que a sustentabilidade das quedas de juros depende do ajuste fiscal brasileiro: a dívida pública gira perto de 80% do PIB e segue no radar de investidores estrangeiros, que voltaram a comprar ativos locais atraídos pelo segundo maior juro real do mundo.
Em meio a um mercado que ainda digere inflação acima da meta e dúvidas fiscais, o recuo nas taxas do Tesouro IPCA+ mostra como choques externos podem se sobrepor a dados locais no curto prazo. Investidores iniciantes devem observar que, embora o juro real continue atraente, a variação diária dos preços desses títulos pode ser expressiva, exigindo cautela com prazos longos.
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