O Tesouro Nacional confirmou para esta terça-feira ( ) a oferta de 150 mil NTN-B, títulos públicos atrelados ao IPCA, com vencimentos em 2031, 2037 e 2050. A quantidade é a mesma da semana passada, apesar de declarações recentes do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, indicando preocupação com as taxas reais e disposição para “atuar quando necessário”.
Por que as NTN-B estão no centro das atenções
- O que são: as NTN-B pagam ao investidor a variação da inflação (IPCA) mais uma taxa de juros prefixada — o chamado juro real.
- Juro real em alta: em junho, a remuneração média das emissões ficou perto de 8% ao ano acima da inflação, nível considerado elevado em termos históricos.
- Oferta reduzida: no mês passado, o Tesouro colocou apenas R$ 6 bilhões em NTN-B, 4% de tudo que emitiu no período, segundo a Eytse Estratégia. Trata-se da menor participação do ano.
Intervenções recentes do Tesouro
O governo já recorreu a medidas atípicas duas vezes em 2024:
- Março: recompra de R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados, sem novas emissões, para aliviar a pressão sobre os juros futuros.
- 23 de junho: cancelamento de leilões de NTN-B e títulos prefixados na mesma semana, mantendo apenas LFT (pós-fixados atrelados à Selic).
Esses movimentos sinalizam que o Tesouro não pretende “validar” qualquer patamar de taxa, o que costuma ajudar a reduzir os prêmios exigidos pelo mercado.
Visões divergentes sobre o preço dos papéis
Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o mercado se divide:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
- Corrente 1 – preços já ajustados: as NTN-B só voltariam a atrair demanda robusta se a inflação recuar de forma consistente para abaixo de 4%.
- Corrente 2 – disfuncionalidade: a inflação raramente esteve abaixo de 4% nos últimos anos, e as taxas atuais estariam desalinhadas com a realidade, justificando nova recompra do Tesouro.
O que muda para o investidor de varejo
- Juros elevados aumentam o retorno real dos títulos atrelados à inflação, mas elevam também a volatilidade de preços no curto prazo.
- Intervenções do Tesouro podem reduzir prêmios: caso o governo volte a comprar papéis, as taxas tendem a ceder, impactando quem pretende negociar antes do vencimento.
- Cenário macro ainda nebuloso: com a Selic em dois dígitos e a inflação acima do centro da meta, o comportamento dos juros reais segue sensível a dados econômicos e a incertezas externas, como conflitos geopolíticos.
Próximos passos
Até o momento, não há confirmação de novo leilão de recompra, mas a postura “vigilante” do Tesouro mantém o mercado atento a qualquer sinalização. Para o investidor, isso significa acompanhar as comunicações oficiais com atenção redobrada, pois mudanças na estratégia de oferta podem alterar rapidamente as taxas pagas pelos títulos públicos indexados à inflação.