Trabalho em data centers de IA nos EUA combina salários maiores e operação contínua

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro7 horas atrás8 Visualizações

A expansão dos data centers que sustentam os investimentos em inteligência artificial nos Estados Unidos aumenta a demanda por profissionais capazes de manter essas instalações funcionando sem interrupções. O trabalho combina manutenção elétrica, refrigeração, redes e inspeções constantes. Para trabalhadores pagos por hora nas áreas de manutenção e instalação, os salários são cerca de 42% superiores aos de funções semelhantes em outros tipos de empresa, apontam pesquisas do site de empregos Indeed.

Uma dessas operações fica em Ashburn, na Virgínia, onde a Digital Realty mantém uma unidade de quase 93 mil metros quadrados. Seu engenheiro-chefe, James Waddy, de 33 anos, percorre cerca de 30 mil passos por dia para identificar falhas antes que elas comprometam os equipamentos. A rotina ajuda a mostrar o que acontece por trás das fachadas geralmente quadradas e pouco marcantes dessas instalações.

Segundo a provedora de dados setoriais Data Center Map, aproximadamente 2.700 data centers estão em operação nos Estados Unidos. A estimativa também aponta quase 400 em construção e pelo menos 1.500 em planejamento. Embora cada unidade precise de algumas dezenas a algumas centenas de funcionários permanentes, dependendo da instalação, a escala dessa expansão pode representar dezenas de milhares de trabalhadores.

Salários e formação atraem candidatos

Mais de 1 milhão de candidatos procuraram vagas em data centers no Indeed em 2026. Em agosto, o volume de buscas era oito vezes o registrado no início de 2022.

Os valores de remuneração variam conforme a função e a experiência. Os exemplos informados pelo Indeed e pela Digital Realty são anuais e se referem ao trabalho nos Estados Unidos:

  • Gerente de projetos: cerca de US$ 115 mil por ano, segundo o Indeed, equivalentes a aproximadamente R$ 591 mil pela cotação de R$ 5,14 por dólar.
  • Engenheiro iniciante na Digital Realty: pode receber aproximadamente US$ 66 mil por ano, ou cerca de R$ 339 mil, de acordo com a empresa.
  • Profissionais mais experientes na Digital Realty: a remuneração média pode superar US$ 120 mil anuais, valor equivalente a aproximadamente R$ 617 mil.

Brandi Galvin Morandi, diretora de recursos humanos da operadora Equinix, afirma que há forte procura por pessoas com conhecimentos em sistemas elétricos, engenharia de redes e refrigeração.

Para Cindy Fiedelman, diretora de recursos humanos da Digital Realty, a dificuldade está em encontrar a combinação de formação técnica, disciplina de segurança e experiência prática exigida por instalações essenciais que operam 24 horas por dia. Segundo ela, esses profissionais estão em falta diante da velocidade de crescimento do setor.

Grandes empresas de tecnologia, incluindo a Meta Platforms, investiram na preparação de mão de obra especializada para construir data centers. Na Virgínia, que concentra muitas dessas instalações, o Northern Virginia Community College criou, com apoio do setor privado, um programa de capacitação para trabalhar nessas unidades.

Como funciona a unidade de Ashburn

Em operação há nove anos, o data center de Ashburn integra a concentração de instalações conhecida como Data Center Alley, a oeste de Washington e a cerca de uma hora da capital americana. A Digital Realty opera mais de 300 data centers em seis continentes e, em unidades como essa, aluga espaço para empresas de tecnologia que precisam de capacidade computacional. Oracle, Meta e IBM estão entre seus clientes.

A unidade emprega aproximadamente 50 pessoas, mas pode reunir até 120 em determinados momentos, considerando também seguranças terceirizados e funcionários enviados pelos clientes. Ainda assim, em um dia de semana recente, a dimensão do prédio deixava muitas salas vazias.

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Foto: Foto: reprodução

As equipes incluem trabalhadores administrativos, seguranças, técnicos responsáveis pelos cabos dos clientes, profissionais da cadeia de suprimentos que providenciam materiais e engenheiros encarregados de monitorar possíveis problemas. Essa divisão de funções também aparece em outros data centers americanos.

Nos corredores compridos, onde os sons ecoam, alguns técnicos usam patinetes para se deslocar. Gaiolas altas abrigam grande quantidade de fios. Há também camas e chuveiros para quem eventualmente precise permanecer no prédio durante eventos climáticos extremos, mantendo os servidores em funcionamento.

A continuidade da operação é a prioridade. A Digital Realty estima que seus data centers estejam disponíveis durante 99,999% do tempo e busca elevar esse índice para 99,9999%. Em tempo de interrupção, a mudança apresentada pela companhia corresponde a passar de seis minutos para 30 segundos por ano.

Inspeções vão dos tubos ao telhado

Waddy, que na juventude queria ser atleta profissional, supervisiona dezenas de engenheiros e se apresenta como “O General”. Suas inspeções envolvem procurar cheiro de equipamento queimado, que pode indicar superaquecimento, tocar tubos para detectar rachaduras e verificar lâmpadas defeituosas ou transformadores de energia quebrados.

Durante uma caminhada sobre o piso elevado, acima de uma câmara por onde circula o ar usado para resfriar os servidores, ele observou que não ouvia ruídos nem sentia odores que indicassem problemas. Na avaliação do engenheiro, tudo funcionava corretamente naquele momento.

A ronda também passa pela galeria de tratamento de ar, onde aparelhos de ar-condicionado de grande porte enviam ar frio para o restante da instalação. No andar superior, o salão de dados lembra um vestiário: os servidores ficam empilhados em gabinetes ou gaiolas disponíveis para locação pelas empresas.

Como concorrentes mantêm suas operações lado a lado, os espaços não exibem nomes de empresas ou logotipos. Perto dos servidores, o ruído é intenso, e o uso de protetores auriculares é recomendado para evitar danos à audição.

No telhado, centenas de condensadores, organizados em fileiras, ajudam a resfriar a unidade. Waddy verifica possíveis defeitos e danos provocados por pássaros que bicam os equipamentos. Dali, também é possível avistar um guindaste empregado na construção do data center de um concorrente. O engenheiro diz gostar especialmente dessa parte da ronda e considera agradável o ambiente no alto do prédio.

Outro exemplo da manutenção cotidiana envolve Malcolm Mosely. Em uma quinta-feira recente, ele trabalhava dentro de uma gaiola preta cheia de fios amarelos, inspecionando um cabo de interconexão — a ligação entre a operação de um cliente e a de outro.

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Foto: Foto: reprodução

Trajetórias profissionais e reação pública ao setor

Waddy chegou à unidade de Ashburn há três anos. Com formação superior de curta duração em administração, antes trabalhava em vendas numa empresa de aquecimento, ventilação e ar-condicionado. Começou no turno da noite, ajudando a manter máquinas de clientes distribuídos pelo mundo, e avançou na hierarquia até assumir a chefia de engenharia.

Don Atkinson, de 53 anos, construiu outro percurso dentro da Digital Realty. Está na companhia há cerca de 14 anos, depois de servir por 17 anos nas Forças Armadas e trabalhar com manutenção de sistemas de energia de reserva. Atualmente, ocupa uma função de gestão e orienta engenheiros mais jovens.

A carreira estável no setor contrasta, para Atkinson, com a mudança repentina na percepção pública sobre seu ambiente de trabalho. Os data centers passaram a ser observados com mais desconfiança à medida que americanos questionam a inteligência artificial e seus possíveis riscos.

Ao comentar essa reação, Atkinson afirmou que ele e seus colegas amam os Estados Unidos e o setor, mas considerou estranho o momento vivido pela atividade. Também disse que, pessoalmente, usa pouca inteligência artificial.

Mosely relata que familiares às vezes comentam as questões políticas relacionadas aos data centers, mas procura não se concentrar no debate. Sua postura, afirma, é ir à unidade e realizar seu trabalho.

Projeto de US$ 500 milhões enfrenta oposição em Atlanta

A resistência à construção de novas instalações também alcança a Digital Realty. Em Atlanta, a empresa tenta viabilizar um data center de US$ 500 milhões, aproximadamente R$ 2,57 bilhões, e busca uma exceção à proibição local de instalar essas unidades perto de terminais de transporte.

Moradores se opuseram à proposta, que se encontra em um impasse. Um porta-voz da Digital Realty afirmou que o empreendimento criaria empregos bem remunerados e declarou que a companhia estava comprometida em conduzir o projeto da maneira correta, em parceria com a comunidade.

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