A Califórnia ergueu 677 mil unidades habitacionais nos últimos seis anos, enquanto a população do Estado aumentou apenas 39 mil pessoas, segundo análise do Public Policy Institute of California (PPIC). Mesmo assim, o mercado imobiliário continua apertado.
O estudo revela que a taxa de vacância entre proprietários caiu de 1,2% para 0,8% no período. No aluguel, a vacância ficou em 4,3% em 2024, bem abaixo da média nacional de 5,9%.
Para o economista sênior do Realtor.com, Joel Berner, o avanço é insuficiente: “O Estado estava em um déficit tão profundo que o ritmo atual ainda não muda o cenário de forma significativa”.
Estimativa da agência estadual de habitação de 2022 aponta necessidade de 2,5 milhões de residências adicionais para equilibrar oferta e demanda.
Entre 2019 e 2024, a Califórnia perdeu 82 mil lares com crianças e ganhou 722 mil sem filhos. “Menos pessoas sob o mesmo teto exigem mais tetos para o mesmo número de habitantes”, comenta Berner.
O envelhecimento também pesa: hoje, 16,5% dos californianos têm 65 anos ou mais; a projeção para 2050 é de 24,9%.
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Nos últimos cinco anos, a construção cresceu, impulsionada por regras estaduais que facilitaram a criação de unidades residenciais acessórias (ADUs), pequenos imóveis independentes no mesmo terreno da casa principal.
Apesar do incentivo, a Califórnia respondeu por apenas 7,3% dos alvarás de novas moradias emitidos no país no ano passado, embora concentre 11,5% da população americana.
O PPIC observa que a formação de novos domicílios entre jovens adultos subiu, mas depende de opções mais baratas. Dos 1,2 milhão de imóveis planejados no Estado, somente 712 mil destinam-se a famílias de renda moderada ou menor – cerca de metade do que o governo considera necessário.
Com as novas unidades sendo rapidamente ocupadas e as taxas de vacância permanecendo baixas, especialistas consideram que o Estado ainda não encontrou a solução definitiva para o déficit habitacional.