Paris (20 de abril de 2026) – O empresário Elon Musk, proprietário da plataforma X (antigo Twitter), não atendeu ao chamado do Ministério Público de Paris para prestar um depoimento voluntário nesta segunda-feira (20). A convocação faz parte da investigação que apura possíveis irregularidades nos algoritmos da rede social e o uso do assistente de inteligência artificial Grok.
A investigação foi aberta no início de 2025, depois que deputados franceses denunciaram suposto viés algorítmico capaz de influenciar o debate político no país. Posteriormente, o inquérito passou a examinar também suspeitas de conivência na divulgação de pornografia infantil e o papel do Grok na disseminação de conteúdos negacionistas e imagens sexuais manipuladas.
No começo de fevereiro deste ano, agentes revistaram a sede do X em Paris. À época, a empresa classificou as buscas como “atos políticos” e “abusivos” e negou qualquer infração. Após a operação, a promotora Laure Beccuau anunciou que Elon Musk e a ex-diretora-geral Linda Yaccarino seriam chamados a depor como administradores da plataforma no período investigado.
Além de Musk e Yaccarino, funcionários do X foram intimados a comparecer entre 20 e 24 de abril para prestar esclarecimentos na condição de testemunhas. Nesta segunda-feira, o Ministério Público informou que “toma nota da ausência das primeiras pessoas convocadas” e ressaltou que a presença ou ausência dos intimados não impede o avanço das apurações.
O cofundador do Telegram, Pavel Durov, também investigado na França por supostas atividades ilegais no aplicativo, manifestou apoio a Musk. Em publicações no Telegram e na própria plataforma X, Durov afirmou que “a França de Emmanuel Macron está perdendo legitimidade ao usar investigações criminais como arma para reprimir a liberdade de expressão e a privacidade”.
Imagem: redir.folha.com.br
O Grok tem sido alvo de reclamações internacionais por permitir a criação de imagens sexualizadas de mulheres e crianças a partir de instruções simples. Segundo o Center for Countering Digital Hate (CCDH), o assistente gerou cerca de três milhões dessas imagens em apenas 11 dias, dado divulgado no fim de janeiro.
Também em janeiro, a União Europeia abriu procedimento próprio contra o X, investigando a circulação de imagens de menores e mulheres nuas produzidas pelo Grok. As autoridades francesas mantêm as apurações em andamento, independentemente do comparecimento de Elon Musk.