Circle congela US$ 12,6 milhões em USDC ligados ao protocolo de privacidade Zama

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedasagora mesmo6 Visualizações

A Circle, emissora do stablecoin USD Coin (USDC), congelou no sábado (30) cerca de US$ 12,6 milhões vinculados a um contrato inteligente do protocolo de privacidade Zama. A medida foi identificada pelo investigador on-chain ZachXBT, que apontou possível relação com um processo civil em andamento nos Estados Unidos.

Por que a Circle consegue travar USDC?

Embora o USDC circule em blockchains públicas, o emissor mantém a capacidade técnica de bloquear ou liberar tokens por meio de blacklists nos contratos do stablecoin. Esse poder é previsto no código e costuma ser usado para atender decisões judiciais ou sanções regulatórias.

  • USDC é pareado ao dólar: cada token representa, em tese, 1 USD mantido em reservas.
  • Contrato passível de bloqueio: a Circle pode ordenar que determinados endereços não movimentem os fundos.
  • Risco para o usuário: mesmo quem opera em aplicações descentralizadas pode ter os ativos travados caso se misturem a endereços investigados.

Zama e Overnight Finance: entenda o contexto

O valor bloqueado estava em um contrato conhecido do Zama, protocolo que oferece funções de privacidade em transações com USDC. ZachXBT observa que, semanas antes, a Overnight Finance – projeto de finanças descentralizadas (DeFi) – havia depositado US$ 12,4 milhões nesse mesmo contrato.

A Overnight Finance realizava uma votação de governança para distribuir recursos de tesouraria após acusações de rug pull (saída abrupta dos desenvolvedores com o caixa do projeto). Embora não haja confirmação oficial, a ligação temporal sugere que o congelamento possa estar relacionado ao processo civil envolvendo a Overnight.

O que muda para o investidor de cripto?

  • Exposição a stablecoins não é isenta de risco: mesmo ativos atrelados ao dólar podem ser congelados por decisões externas.
  • Mistura de fundos: participar de pools de liquidez ou contratos coletivos pode expor o investidor a problemas jurídicos de terceiros.
  • Controle de contraparte: diferentemente de criptos nativas como Bitcoin ou Ether, stablecoins emitidas por empresas centralizadas carregam risco regulatório adicional.

Precedentes recentes aumentam a pressão

Esta não é a primeira vez que a Circle se vê no centro de críticas. Segundo ZachXBT:

  • Em março, 16 carteiras ligadas a cassinos on-line teriam sido bloqueadas sem aviso prévio.
  • Desde 2022, a empresa teria deixado de congelar cerca de US$ 420 milhões em 15 casos de hacks, incluindo US$ 232 milhões desviados do protocolo Drift em abril de 2026.

A disparidade entre casos em que a Circle age rapidamente e situações em que não bloqueia fundos roubados levanta questionamentos sobre critérios e transparência. Para o investidor, esse cenário sinaliza a importância de acompanhar não só a tecnologia, mas também a política interna dos emissores.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Reflexos no mercado e no ambiente regulatório

O episódio ocorre em meio a discussões globais sobre como regular stablecoins. Nos Estados Unidos, parlamentares avaliam exigir controles mais rígidos de prevenção à lavagem de dinheiro. No Brasil, o Banco Central já sinalizou que poderá supervisionar emissores de stablecoins quando a Lei de Criptoativos entrar plenamente em vigor.

Para quem investe em criptoativos, esse movimento regulatório pode repercutir de duas formas:

  • Maior segurança jurídica: regras claras podem reduzir incertezas sobre bloqueios arbitrários.
  • Custo de conformidade: emissores podem repassar despesas de compliance, impactando taxas ou velocidade das transferências.

O que acompanhar daqui para frente

  • Evolução do processo civil ligado à Overnight Finance e eventuais destravamentos dos USDC congelados.
  • Possíveis atualizações da política de freezing da Circle e de outros grandes emissores, como a Tether.
  • Debates regulatórios no Congresso norte-americano e no Banco Central do Brasil sobre stablecoins.
  • Reação dos usuários: migração para stablecoins descentralizadas ou alternativas multicolateralizadas.

Enquanto o caso não se resolve, o episódio serve como lembrete de que, mesmo em redes descentralizadas, parte da infraestrutura financeira cripto ainda depende de decisões de entes centralizados. Conhecer esses riscos, especialmente ao usar protocolos de privacidade ou DeFi, é passo essencial para qualquer investidor — iniciante ou experiente.

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