USDA eleva safra brasileira de milho 2025/26 para 138 mi t e prevê consumo interno recorde

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções11 horas atrás7 Visualizações

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reajustou nesta quinta-feira (11) a projeção para a safra brasileira de milho 2025/26 de 135 milhões para 138 milhões de toneladas. O aumento de 3 milhões de toneladas aproxima a estimativa da divulgada no mesmo dia pela Conab, de 140,46 milhões de toneladas.

O que mudou na nova estimativa

  • Produção: 138 mi t (+3 mi t em relação ao relatório anterior).
  • Consumo interno: 96 mi t (+2,5 mi t), puxado pela expansão das usinas de etanol de milho.
  • Exportações: mantidas em 43 mi t, volume igual ao projetado para a Argentina.
  • Safra 2026/27: prevista em 139 mi t, com exportações de 44 mi t.

A revisão ocorre no momento em que o País inicia a colheita da segunda safra — a chamada “safrinha” —, responsável pela maior parte do milho brasileiro.

Por que o dado interessa ao investidor

Milho é insumo estratégico para as cadeias de proteína animal (frangos, suínos, bovinos) e para a produção de etanol. Quando a oferta cresce, o preço interno tende a perder força, o que:

  • Pode aliviar custos de empresas de alimentos listadas na B3, como BRF e JBS.
  • Reduz pressão sobre o IPCA, já que ração e itens derivados do milho impactam a inflação de alimentos.
  • Afeta margens de tradings e produtores rurais, com potencial reflexo nas cotações de empresas do agronegócio.

Efeito sobre preços, inflação e Selic

Oferta maior, com exportações estáveis, sinaliza excedente no mercado doméstico. Caso se confirme, a pressão baixista no preço do grão pode contribuir para conter a inflação de alimentos nos próximos trimestres. Um IPCA mais comportado, por sua vez, amplia a discussão sobre o ritmo dos cortes da taxa Selic, tema central para renda fixa e ações sensíveis a juros.

Argentina no retrovisor

Com safra também robusta, a Argentina deve embarcar 43 mi t em 2025/26, colocando em risco a vice-liderança brasileira no ranking global de exportadores, atrás apenas dos EUA. A disputa reforça a importância da logística — estradas, portos e ferrovias — para manter a competitividade do milho brasileiro.

Avanço do etanol de milho

O consumo doméstico previsto para 2025/26 é 4,5 milhões de toneladas maior que o da temporada anterior. Boa parte dessa alta vem de novas destilarias que utilizam milho como matéria-prima, sobretudo no Centro-Oeste. Esse movimento:

  • Diversifica a matriz de combustíveis e pode reduzir a dependência da cana-de-açúcar.
  • Aumenta a demanda interna, suavizando os efeitos de eventuais quedas de preço no mercado internacional.

Soja: recorde mantido

No mesmo relatório, o USDA manteve a safra de soja 2025/26 em 180 mi t e projetou 186 mi t para 2026/27, o que seria novo recorde. As exportações de soja foram estimadas em 117,5 mi t para 2026/27, acima dos 115 mi t de 2025/26, reforçando o peso do complexo soja no superávit da balança comercial brasileira e na geração de dólares — ponto observado por quem acompanha o câmbio.

Pontos de atenção para o investidor iniciante

  • Monitorar relatórios mensais do USDA e da Conab ajuda a antecipar movimentos de oferta e preço das commodities.
  • Oscilações no milho podem influenciar ações de frigoríficos, empresas de etanol, produtores de insumos e até o setor de logística.
  • A maior oferta também pode impactar fundos de índice (ETFs) expostos a commodities agrícolas e contratos futuros negociados na B3.

Com a colheita em andamento e a safra recorde no radar, o mercado agora observa as condições climáticas para o restante da “safrinha” e a evolução da demanda externa. Esses fatores serão decisivos na formação dos preços do milho ao longo do segundo semestre.

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