Ibiuna vê espaço para recuperação do Ibovespa apesar da Selic elevada

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro3 horas atrás16 Visualizações

O diretor de investimentos da Ibiuna Investimentos, André Lion, avaliou que o pior momento da pressão sobre os juros já ficou para trás e que o Ibovespa tende a encontrar um ambiente mais construtivo nos próximos meses. A leitura foi apresentada em painel sobre ações na Expert XP, encontro que reúne profissionais do mercado financeiro em São Paulo.

O que mudou no cenário de juros

A sinalização de Lion parte da percepção de que os riscos de uma nova disparada inflacionária se acomodaram nas últimas seis semanas. Ainda há incerteza sobre quantos cortes da Selic virão, mas o gestor entende que a fase de reprecificação agressiva – que elevou os juros futuros e pressionou as ações no primeiro semestre – perdeu intensidade.

  • Selic e Bolsa: juros altos encarecem o financiamento das empresas e tornam a renda fixa mais atraente, o que costuma retirar parte do fluxo de recursos da Bolsa.
  • Alívio parcial: se a expectativa de inflação cai e os juros futuros acomodam, o prêmio adicional exigido pelo investidor de ações diminui, favorecendo a retomada de preços.

Inflação, petróleo e a “cauda” do conflito

Segundo Lion, o risco extremo (“cauda”) de o choque do petróleo desencadear uma inflação global descontrolada passou a ser visto como menos provável. Mesmo com o agravamento do conflito no exterior, o mercado ajustou suas projeções, reduzindo o impacto imediato sobre combustíveis e energia.

No Brasil, a desaceleração desse temor ajuda a conter as apostas em elevação adicional da Selic, ainda que a situação fiscal siga no radar como obstáculo a cortes mais rápidos.

Disputa global por capital e fluxo estrangeiro

O primeiro semestre trouxe dois movimentos opostos:

  • Entrada forte de estrangeiros nos primeiros meses do ano, estimulada pelo preço atrativo das ações brasileiras.
  • Saída expressiva de quase metade desse capital por causa da corrida mundial por investimentos ligados à inteligência artificial, que concentrou recursos em bolsas dos EUA e de outros mercados desenvolvidos.

Dados mostrados pela XP indicam que julho marcou uma retomada – ainda modesta – desse fluxo para a B3. Historicamente, momentos de pessimismo extremo costumam anteceder viradas de preço, lembra a casa de análise.

Ibovespa a 199 mil pontos: projeção ou limite?

Nos cenários trabalhados pela XP, o mais provável coloca o Ibovespa em 199 mil pontos até dezembro. Embora seja apenas uma hipótese, o número ajuda o investidor a dimensionar a distância potencial em relação ao patamar atual e reforça a mensagem de que a precificação de risco melhorou.

Onde a Ibiuna enxerga valor

Para selecionar papéis, a Ibiuna busca empresas com retorno real – lucro descontado da inflação – acima de 15% ao ano e boa liquidez (facilidade de comprar e vender as ações sem distorcer o preço).

  • Copasa: companhia de saneamento citada pelo gestor cuja receita tende a ser menos sensível às variações do Produto Interno Bruto.
  • Construtoras ligadas ao Minha Casa Minha Vida: o programa habitacional, visto pela gestora como política de Estado, garantiria geração consistente de caixa ao setor, independentemente do ciclo eleitoral.

O ponto central, afirma Lion, é mapear onde estão os riscos macroeconômicos e setoriais de cada empresa. “Se você não sabe onde está o risco, o risco é você”, resumiu.

O que isso significa para o investidor iniciante

Para quem está começando, o debate reforça três lições:

  • Juros importam: taxas altas seguram a Bolsa, mas a curva de juros futuros costuma reagir antes da Selic efetiva. Acompanhar esse movimento ajuda a entender oscilação dos preços.
  • Fluxo estrangeiro faz diferença: quando o capital internacional volta, tende a ampliar a liquidez e a reduzir a volatilidade dos papéis de maior peso no índice.
  • Lembre-se do risco: identificar os fatores que podem afetar cada empresa ou setor é tão importante quanto analisar o potencial de retorno.

Por ora, a mensagem da Ibiuna indica um ponto de inflexão possível para o mercado brasileiro: a pressão dos juros perdeu força, mas as incertezas fiscais e globais ainda pedem cautela. Entender como cada variável – Selic, inflação, petróleo e fluxo de capital – se conecta ao desempenho das ações é peça-chave para navegar no próximo trimestre.

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