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O diretor de investimentos da Ibiuna Investimentos, André Lion, avaliou que o pior momento da pressão sobre os juros já ficou para trás e que o Ibovespa tende a encontrar um ambiente mais construtivo nos próximos meses. A leitura foi apresentada em painel sobre ações na Expert XP, encontro que reúne profissionais do mercado financeiro em São Paulo.
A sinalização de Lion parte da percepção de que os riscos de uma nova disparada inflacionária se acomodaram nas últimas seis semanas. Ainda há incerteza sobre quantos cortes da Selic virão, mas o gestor entende que a fase de reprecificação agressiva – que elevou os juros futuros e pressionou as ações no primeiro semestre – perdeu intensidade.
Segundo Lion, o risco extremo (“cauda”) de o choque do petróleo desencadear uma inflação global descontrolada passou a ser visto como menos provável. Mesmo com o agravamento do conflito no exterior, o mercado ajustou suas projeções, reduzindo o impacto imediato sobre combustíveis e energia.
No Brasil, a desaceleração desse temor ajuda a conter as apostas em elevação adicional da Selic, ainda que a situação fiscal siga no radar como obstáculo a cortes mais rápidos.
O primeiro semestre trouxe dois movimentos opostos:
Dados mostrados pela XP indicam que julho marcou uma retomada – ainda modesta – desse fluxo para a B3. Historicamente, momentos de pessimismo extremo costumam anteceder viradas de preço, lembra a casa de análise.
Nos cenários trabalhados pela XP, o mais provável coloca o Ibovespa em 199 mil pontos até dezembro. Embora seja apenas uma hipótese, o número ajuda o investidor a dimensionar a distância potencial em relação ao patamar atual e reforça a mensagem de que a precificação de risco melhorou.
Imagem: Valor
Para selecionar papéis, a Ibiuna busca empresas com retorno real – lucro descontado da inflação – acima de 15% ao ano e boa liquidez (facilidade de comprar e vender as ações sem distorcer o preço).
O ponto central, afirma Lion, é mapear onde estão os riscos macroeconômicos e setoriais de cada empresa. “Se você não sabe onde está o risco, o risco é você”, resumiu.
Para quem está começando, o debate reforça três lições:
Por ora, a mensagem da Ibiuna indica um ponto de inflexão possível para o mercado brasileiro: a pressão dos juros perdeu força, mas as incertezas fiscais e globais ainda pedem cautela. Entender como cada variável – Selic, inflação, petróleo e fluxo de capital – se conecta ao desempenho das ações é peça-chave para navegar no próximo trimestre.
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