Grandes atualizações em Ethereum, Solana e outras redes prometem tornar o ecossistema cripto mais eficiente em 2026

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas3 minutos atrás24 Visualizações

Enquanto muitos olhos ainda acompanham os gráficos de preço, 2026 caminha para ser o ano em que a infraestrutura das maiores blockchains dará um salto técnico importante. As mudanças miram maior escalabilidade, governança previsível e requisitos institucionais – pontos que podem influenciar desde a experiência de quem faz pequenas operações até a adoção de ativos digitais por bancos e gestoras.

Ethereum testa o pacote “Glamsterdam”

Após a transição para proof-of-stake em 2022, o próximo passo do Ethereum se chama Glamsterdam. O upgrade vem sendo experimentado em redes de teste e promete:

  • Processar mais transações ao mesmo tempo, aliviando congestionamentos que costumam elevar taxas;
  • Reduzir o “inchaço” do banco de dados, facilitando a vida de quem roda nós completos;
  • Implementar o ePBS (enshrined proposer-builder separation), que traz para dentro do protocolo a função de construir blocos, hoje concentrada em poucos agentes – fator que gera riscos de centralização e de práticas como MEV (“taxas extras” obtidas por reordenar transações).

Para o investidor iniciante, a consequência prática pode ser transações mais baratas e previsíveis, algo fundamental para uso de stablecoins, games e aplicações de finanças descentralizadas (DeFi).

Solana acelera com “Alpenglow”

No caso da Solana, o foco está em reduzir drasticamente o tempo que a rede leva para considerar uma transação como definitiva – o chamado finality. O pacote Alpenglow substitui o mecanismo de consenso atual por um sistema baseado em Votor, mirando confirmações de 100 a 150 milissegundos (hoje são cerca de 13 segundos).

Além da velocidade, a remoção das transações de voto on-chain deve diminuir o tráfego interno da rede, tornando o comportamento das taxas mais estável. Para quem observa Solana como ativo, menos variabilidade operacional pode ampliar a confiança de instituições interessadas em tokenização de ativos e pagamentos instantâneos.

Base encurta saques com o hard fork “Beryl”

A Base – rede criada pela Coinbase – já ativou o Beryl no início do ano. Entre as mudanças:

  • Novo padrão de tokens B20, criado para unificar contratos e simplificar auditorias;
  • Prazo de retirada reduzido de sete para cinco dias, melhorando a experiência de quem transfere fundos entre camadas;
  • Integração com o software Reth V2, que diminui os requisitos de armazenamento para operadores de nós.

Com a Base aproximando-se ainda mais do ecossistema da exchange norte-americana, o investidor brasileiro deve acompanhar possíveis impactos em liquidez: parte dos recursos que circulavam na antiga “super­cadeia” Optimism tende a ficar concentrada dentro da Base.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Avalanche mira performance e tokenização

Depois de reduzir em mais de 99% o custo para lançar blockchains dedicadas – graças ao hard fork Etna – a Avalanche parte para otimizar a C-Chain com duas frentes:

  • Soberanias L1: sub-redes que podem operar com suas próprias regras, atraindo projetos de tokenização, como o Progmat no Japão (US$ 2 bilhões migrados);
  • Streaming Asynchronous Execution: separa execução de transações e consenso, gerando maior vazão sem elevar taxas nos picos de uso.

Para quem avalia exposição a AVAX ou a tokens emitidos na rede, vale notar que a busca por parcerias com gestoras tradicionais sinaliza tentativa de aproximar ativos digitais da regulação de mercados de capitais.

Bitcoin permanece em debate sobre OP_CAT e pós-quântica

Ao contrário das demais, a rede Bitcoin segue discutindo – sem consenso – propostas que poderiam torná-la mais programável (OP_CAT, CTV) e resistente a eventuais computadores quânticos (BIP-360). Qualquer mudança exige amplo acordo dos desenvolvedores e, historicamente, o processo é lento.

Para o investidor, isso significa que o Bitcoin prioriza estabilidade e segurança sobre novas funções, mantendo sua posição como reserva de valor descentralizada enquanto outras redes avançam em experimentos de velocidade e governança.

O que observar daqui para frente

  • Impacto nas taxas: redes mais eficientes tendem a baratear o uso diário, mas a relação demanda–oferta continuará sendo decisiva;
  • Liquidez entre ecossistemas: upgrades que concentram usuários podem alterar o fluxo de capital entre protocolos;
  • Interesse institucional: melhorias de governança e conformidade costumam ser pré-requisito para entrada de grandes gestores;
  • Cenário macro: com a Selic ainda servindo de referência para aplicações em renda fixa no Brasil, a competição por capital deve seguir acirrada; redes que reduzirem risco operacional podem ganhar tração mesmo em ambiente de juros elevados.

Em 2026, a conversa na criptoeconomia parece cada vez menos sobre “quando o preço vai subir” e mais sobre “qual rede está preparada para atender milhões de usuários de forma confiável”. Para quem investe, acompanhar esses movimentos técnicos ajuda a entender por que alguns projetos podem ganhar relevância – ou ficar para trás – nos próximos ciclos de mercado.

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