Nova regra do CMN corta crédito rural subsidiado de produtores que desmatam área permitida por lei

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro1 mês atrás57 Visualizações

Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), em vigor desde 1º de abril, proíbe bancos de conceder crédito rural com recursos públicos a produtores que suprimem vegetação nativa, mesmo quando o desmate está amparado pelo Código Florestal. O órgão é formado pelo Banco Central e pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento.

A medida provocou reação do setor. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que o governo deveria concentrar esforços no combate ao desmatamento ilegal. Para a entidade, a nova exigência ameaça o calendário de contratação de financiamento, já que muitas operações têm prazos curtos.

Como funciona a checagem

Pelas novas regras, as instituições financeiras devem verificar se houve desmate após julho de 2019 nas propriedades que pedem empréstimo com subsídios oficiais. O cruzamento de dados será feito pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Caso seja detectada derrubada de floresta, o produtor precisará apresentar a autorização ambiental antes de obter o crédito.

Posição do governo

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) defende que a resolução apenas retira incentivo público à supressão de vegetação nativa. A pasta ressalta que continua livre o acesso a linhas privadas para desmatamento dentro da legalidade. Entre as metas do Plano Clima para a agropecuária está reduzir em 75%, de 2022 a 2035, o desmatamento considerado legal.

Repercussão jurídica e no sistema financeiro

Para Rosa Ramos, presidente da comissão de clima da OAB-SP, a norma representa uma mudança estrutural no financiamento do agronegócio e deve ser contestada judicialmente por entidades do setor.

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Imagem: redir.folha.com.br

No BNDES, Marta Bandeira de Freitas relata que o banco já utilizava dados do MapBiomas para monitorar desmate e vê no uso de plataforma oficial maior credibilidade para o mercado. No Banco do Brasil, Ketlin Sfair Antunes avalia que a inovação reduz riscos e estimula a regularização ambiental dos clientes.

Impacto estimado

Levantamento da Climate Policy Initiative (CPI) aponta que, entre 2020 e 2024, cerca de 17% dos empréstimos rurais liberados foram destinados a propriedades em áreas derrubadas entre 2020 e 2023. O diretor-executivo da CPI, Juliano Assunção, considera a resolução um reconhecimento aos produtores que atuam de forma alinhada ao interesse público.

Pelo Código Florestal, propriedades na Amazônia devem preservar ao menos 80% da cobertura vegetal; os 20% restantes podem ser legalmente suprimidos. A partir de agora, porém, quem optar por usar essa margem não terá acesso a linhas de crédito subsidiadas pelo governo federal.

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