Clima já tirou R$ 200 bi do agronegócio brasileiro, calcula estudo do BID

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro8 minutos atrás21 Visualizações

Um levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que variáveis climáticas vêm drenando parte relevante da riqueza gerada pelo campo brasileiro. Ao projetar os dados do estudo até 2025, o economista Bráulio Borges estimou que a renda do agronegócio poderia ser R$ 200 bilhões maior — cerca de 1,5% do PIB do país — se o clima tivesse se mantido estável desde 1985.

O que o estudo avaliou

  • Foram analisados dados de todos os Censos Agropecuários entre 1985 e 2017.
  • A Produtividade Total dos Fatores (PTF) do setor avançou, em média, 1,6% ao ano, respondendo por 60% do crescimento da produção.
  • Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e educação — com destaque para o trabalho da Embrapa — apareceram como motores essenciais desse ganho de eficiência.
  • O clima, porém, atuou como freio constante, reduzindo parte dos avanços obtidos com tecnologia e gestão.

Por que importa para o investidor

O agronegócio responde por quase um quarto do PIB nacional e por parcela significativa das exportações, influenciando o fluxo de dólares, o resultado da balança comercial e, indiretamente, a cotação do real. Quando secas, enchentes ou calor extremo encarecem a produção ou derrubam a safra:

  • os lucros de empresas listadas na B3 ligadas a grãos, proteína animal, logística e fertilizantes podem ficar pressionados;
  • o preço dos alimentos costuma subir, elevando a inflação e dificultando cortes na Selic;
  • títulos atrelados ao IPCA podem oferecer proteção parcial, mas a volatilidade aumenta em todos os mercados.

Multiplicador na economia

Segundo cálculo citado por Borges, cada real produzido dentro da porteira gera quase R$ 1,50 adicionais em atividades como transporte, indústria de alimentos e serviços. Dessa forma, a perda direta de R$ 200 bilhões no campo poderia significar um impacto agregado próximo de R$ 500 bilhões na produção da economia como um todo.

Riscos climáticos e o cenário macro

A intensificação de fenômenos como El Niño tem aumentado a frequência de secas no Centro-Sul e de enchentes na Região Sul. Além de prejudicar margens de produtores e empresas, a irregularidade do clima dificulta as projeções de inflação do Banco Central. Qualquer surpresa altista nos índices de preços tende a retardar eventuais cortes na taxa Selic, algo que afeta todo o mercado de renda fixa e variável.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Políticas de adaptação ganham peso

Os autores do relatório destacam que o avanço tecnológico continua sendo vital, mas que medidas de adaptação — como irrigação eficiente, seguros rurais e manejo de risco climático — passam a ser prioridade de política econômica. Para investidores, entender quais empresas estão melhor preparadas para lidar com esse novo padrão climático é parte do processo de avaliação de riscos.

Em um momento de juros ainda elevados e inflação sob constante vigilância, os números reforçam que a agenda climática deixou de ser apenas ambiental: tornou-se variável-chave na análise de cenário macro e na precificação de ativos ligados ao agronegócio.

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