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As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta nesta quinta-feira (16) em quase todos os vencimentos, refletindo dois choques simultâneos: o novo tarifaço de 25 % do governo norte-americano sobre produtos brasileiros e o leilão expressivo de títulos prefixados realizado pelo Tesouro Nacional.
Na prática, a curva ficou mais inclinada: os prazos curtos pouco se mexeram, enquanto os prazos médios e longos encareceram. Para o investidor, isso sinaliza maior incerteza sobre inflação e política monetária nos próximos anos.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciou que, a partir de 22 de julho, milhares de produtos brasileiros — de açúcar a máquinas — pagarão tarifa de 25 %. O Goldman Sachs calcula que 26 % das exportações brasileiras aos EUA (cerca de US$ 10,2 bi) serão afetadas.
Menos exportação significa potencial redução na entrada de dólares. Em um cenário extremo, o real poderia se desvalorizar, elevando a inflação via produtos cotados em moeda forte. Como juros futuros embutem expectativas de preços no longo prazo, as taxas subiram para compensar esse risco adicional.
No mesmo dia, o Tesouro Nacional vendeu ao mercado:
Imagem: Liliane de Lima
O volume ficou bem acima do leilão anterior (9 milhões de LTNs), aumentando a oferta de papéis prefixados. Quando há mais títulos disponíveis, investidores exigem juros maiores para comprá-los, o que se reflete imediatamente na curva de DIs.
Os Treasuries — referência mundial de renda fixa — também subiram: o yield de 2 anos foi a 4,145 % e o de 10 anos a 4,557 %. Esse movimento costuma contaminar outros mercados, inclusive o brasileiro, porque investidores internacionais recalibram portfólios entre países.
Por ora, a atenção segue dividida entre o desdobramento das negociações comerciais com Washington e o ritmo de emissão de dívida interna. Qualquer sinal de escalada na tensão ou nova oferta volumosa de títulos pode manter a curva de juros pressionada.
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