Colunista aponta riscos em plano econômico de Flávio Bolsonaro e alerta para possível avanço autoritário

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O jornalista Vinicius Torres Freire afirmou em coluna publicada em abril de 2026 que o esboço de programa econômico apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro — pré-candidato à Presidência — combina corte de tributos com redução de despesas, medida que, segundo ele, pode resultar em aumento de impostos no curto prazo pela eliminação de incentivos fiscais.

Freire lembrou que o parlamentar expôs as linhas gerais do plano durante almoço do Lide, realizado em 19 de março no hotel Fairmont Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Na ocasião, o senador declarou que pretende seguir “diretrizes e lições” do governo Jair Bolsonaro.

Possíveis impactos fiscais

De acordo com a análise do colunista, o orçamento federal é composto por 43% de gastos com Previdência (INSS), 18% com pessoal, 15,5% com benefícios sociais (Bolsa Família, BPC, seguro-desemprego, entre outros) e 13,8% com saúde e educação — itens que somam cerca de 90% das despesas totais. Ele avalia que o corte de renúncias fiscais atingiria principalmente:

  • contribuintes de maior renda beneficiados pelo Simples Nacional;
  • empresas instaladas em regimes especiais, como a Zona Franca de Manaus;
  • pessoas que deduzem gastos com saúde e educação do Imposto de Renda;
  • produtos da cesta básica hoje isentos.

Comparações internacionais e cenário político

No texto, Freire compara a proposta ao ajuste fiscal executado pelo presidente argentino Javier Milei, que reduziu até 30% da renda real de quem depende do Estado. O colunista observa que, apesar da queda de popularidade, Milei manteve apoio suficiente para vencer eleições legislativas nos dois primeiros anos de governo.

Freire também cita o modelo de segurança pública adotado por Nayib Bukele em El Salvador como possível inspiração para um eventual endurecimento do aparato estatal no Brasil, caso protestos ocorram contra eventuais medidas de arrocho.

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Imagem: redir.folha.com.br

Relação com o Congresso

Sobre a articulação política, o jornalista recorda que, no primeiro governo Bolsonaro, parte da governança foi transferida ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Para ele, um eventual governo Flávio Bolsonaro teria de lidar com pressões do Centrão e, simultaneamente, com a promessa do senador de buscar a libertação de investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 — entre eles, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.

Freire conclui que a reação da elite econômica e política brasileira poderá definir se o país seguirá rumo a um “bananismo iliberal” ou se conterá avanços autoritários, lembrando experiências passadas como Jânio Quadros, a ditadura militar, Fernando Collor e o próprio Jair Bolsonaro.

A coluna integra a análise semanal de Vinicius Torres Freire, mestre em administração pública por Harvard e ex-secretário de Redação da Folha de S.Paulo.

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