Eleição indefinida leva ASA a reforçar proteção de carteiras e mesclar estratégias na Bolsa

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa2 dias atrás12 Visualizações

O segundo semestre começou com um ingrediente que costuma gerar nervosismo nos mercados: a incerteza eleitoral. Para a ASA, gestora fundada por Alberto J. Safra, o pleito presidencial está em “50%-50%” e torna prudente reforçar a proteção das carteiras, sem abrir mão de oportunidades.

Dois cenários opostos para a Bolsa

Segundo Rogério Freitas, head de investimentos locais, o Ibovespa — principal índice da B3, composto por empresas de commodities e grandes bancos — tende a ser o porto mais defensivo se o atual governo for reeleito. O motivo é simples: mineradoras, petrolíferas e instituições financeiras dependem menos do ciclo doméstico de crescimento.

Já uma eventual vitória de um candidato com perfil fiscal mais disciplinado poderia abrir espaço para juros básicos (Selic) mais baixos. Nesse quadro, setores ligados ao crescimento — small caps e companhias em início de ciclo de investimento, inclusive estatais — ganhariam tração.

Como o desfecho permanece imprevisível, a casa recomenda um mix entre:

  • Fundos passivos que replicam o Ibovespa, beneficiando-se da liquidez e do retorno potencial de commodities;
  • Gestores ativos capazes de selecionar nomes ligados à retomada econômica, caso o cenário fiscal melhore.

Meta condicional de 300 mil pontos

A projeção de Ibovespa a 300 mil pontos — comentada pela ASA no início do ano — segue condicionada a uma guinada fiscal que reduza o endividamento público e permita juros mais baixos. Freitas lembra que a concretização dessa trajetória exigiria tempo, possivelmente até 2027, e um ambiente externo favorável.

Renda fixa: preferência por NTN-Bs de médio prazo

Na renda fixa, a equipe gosta de títulos federais atrelados à inflação (NTN-B), com vencimento próximo de seis anos. O horizonte médio procura equilibrar dois riscos:

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

  • Inflação: papéis muito curtos tendem a oscilar mais com números de preços no curto prazo;
  • Fiscal: vencimentos longos sofrem mais se houver piora na percepção sobre as contas públicas.

No crédito privado, a gestora ficou mais seletiva. Apenas emissões com classificação de risco “quatro As” entram no radar, reflexo do aumento do endividamento corporativo após o ciclo de alta da Selic.

Olhar externo: juros dos EUA e tecnologia

Charles Ferraz, head global de investimentos, avalia que os Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) voltam a ficar atrativos ao redor de 4,5% ao ano, sobretudo com o Federal Reserve endurecendo o combate à inflação. Nos Estados Unidos, o ASA também vê espaço para ganho nas Bolsas, impulsionadas pelos investimentos em inteligência artificial. A gestora prefere uma exposição diversificada para capturar o tema sem depender de poucos nomes.

O que o investidor iniciante precisa observar

  • Risco eleitoral: carteiras concentradas em um único cenário podem sofrer mais;
  • Diversificação: combinar gestão passiva e ativa ajuda a equilibrar o resultado;
  • Perfil de risco: NTN-Bs protegem contra inflação, mas ainda carregam marcação a mercado;
  • Ciclo de juros: mudanças na Selic influenciam tanto o valor presente das ações quanto o rendimento de renda fixa.

A mensagem central da ASA é proteger patrimônio evitando “cascas de banana” do mercado, mantendo flexibilidade para ajustar posições assim que o quadro político e macroeconômico ficar mais claro.

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