A redução da Selic para 14,50% ao ano, que levou o CDI a 14,40%, não impediu parte dos fundos imobiliários (FIIs) de entregar rendimentos acima da taxa de referência da renda fixa. Levantamento da Economatica, solicitado pelo InfoMoney, identificou 11 fundos listados no Ifix com dividend yield (DY) projetado superior ao CDI, desde que o investidor considere apenas os papéis com retorno total positivo nos últimos 12 meses.
O cálculo do DY levou em conta os proventos distribuídos nos últimos 12 meses em relação à cotação de 29 de abril de 2026, pressupondo manutenção dos resultados e da política de dividendos. Veja a lista:
A lista é composta majoritariamente por fundos de papel que investem em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) ligados ao CDI ou ao IPCA, beneficiando-se diretamente do nível elevado da taxa básica. Mesmo assim, dois fundos de tijolo focados em shopping centers — BPML11 e GZIT11 — conseguiram bater o CDI. O desempenho acima da média desses fundos resultou, em grande medida, de distribuições não recorrentes durante o ano.
O BPML11, por exemplo, pagou R$ 3,18 por cota em junho de 2025 após vender o Shopping Capim Dourado, em Palmas, e distribuiu mais R$ 10,13 por cota em dezembro, o que inflou o rendimento anual. Sem esses eventos, o pagamento ordinário fica perto de R$ 0,92 mensais. Já o GZIT11 vinha pagando cerca de R$ 0,78 por cota por mês, mas reduziu o provento para R$ 0,42 em março de 2026, indicando menor previsibilidade de fluxo.
Entre os fundos de papel, o CACR11 chamou atenção após a repricing de CRIs do Banco Daycoval em setembro de 2025, que levaram a cota de R$ 82 para R$ 62. O valor se recuperou para R$ 81 em 2026, mas o episódio ilustra o risco de concentração. O VGIR11, totalmente atrelado ao CDI, começou a reduzir proventos — de R$ 0,13 para R$ 0,12 em março de 2026 — sinalizando possível compressão de rendimentos se a Selic continuar caindo. O RZAK11 opera alavancado em 106,99% do patrimônio via operações compromissadas reversas, o que aumenta potencial de retorno e o risco.
Imagem: infomoney.com.br
Para Marcos Baroni, head de FIIs da Suno Research, a palavra-chave para o segmento segue sendo “resiliência”: ele projeta rendimentos no Ifix entre 10% e 12% ao ano, independentemente da variação das cotas no curto prazo. Isabella Almeida, gestora da Rio Bravo Investimentos, lembra que as cotas dos FIIs negociam, em média, com 10% de desconto em relação ao valor patrimonial, chegando a 30% em fundos corporativos de tijolo.
Pelo lado negativo, Marx Gonçalves, head de fundos listados do research da XP, observa que uma Selic elevada por mais tempo tende a atrasar a reprecificação dos fundos, mesmo diante de baixa vacância e inadimplência controlada. Segundo ele, boa parte desse cenário já estaria incorporada aos preços.
Analistas destacam que o DY projetado serve apenas como referência inicial. A qualidade da gestão, o grau de vacância, o nível de alavancagem e a composição dos ativos determinam a capacidade dos fundos de manter rendimentos consistentes ao longo do tempo.