O ambiente de juros elevados e aperto no crédito tem levado gestores a revisar posições no setor financeiro. Na IP Capital Partners, casa com quase quatro décadas de atuação em renda variável, o Itaú Unibanco (ITUB4) voltou a ser a principal escolha para atravessar o cenário atual.
Na visão de Gabriel Raoni, sócio da IP Capital, o Itaú “já faz a curva aberta” – ou seja, está se preparando com folga para a possível piora do crédito, enquanto concorrentes ainda ajustam suas carteiras. Para o investidor iniciante, isso significa uma postura mais conservadora em meio a inadimplência crescente e margens pressionadas pelo custo de captação.
Nubank (NUBR33) e Inter (INBR32) acumulam quedas expressivas em 2023. A razão principal é o medo de que a deterioração do crédito afete seus resultados – empresas jovens normalmente têm menos colchão de capital do que bancos tradicionais.
A IP Capital, porém, avalia que parte relevante desse risco já entrou no preço. Para o leitor que acompanha as cotações, o movimento reflete um fenômeno clássico de Bolsa: quando o sentimento é dominado pelo medo, as ações podem cair além do razoável, criando distorções de valor.
No caso do Nubank, a gestora ressalta o histórico de expansão: da desconfiança inicial no Brasil e no México até chegar a mais de 115 milhões de clientes. A aposta agora é nos Estados Unidos, onde o ambiente regulatório, segundo Raoni, estaria mais receptivo a novos entrantes. A análise da IP indica que o valor de mercado atual não embute nada pela operação internacional.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
A correção das ações do MercadoLivre (MELI) seguiu a mesma lógica: receio com inadimplência e crédito mais caro. Para a IP, porém, mais da metade do resultado operacional já vem do MercadoPago, divisão financeira que cresce independentemente do varejo digital. Esse dado, na avaliação da gestora, ainda não está totalmente refletido no preço.
A IP Capital ainda não definiu entrada formal em Nubank, Inter ou MercadoLivre; acompanha o desenrolar do mercado em busca do que chama de “magia do caos” – períodos em que a aversão a risco pode gerar preços assimétricos. Para o investidor que começa agora, a lição principal é entender que o contexto macro – juros, inflação, dólar e apetite por risco – influencia diretamente a precificação de ações do setor bancário tradicional e das novas plataformas financeiras.
Ao analisar qualquer ativo, comparar métricas como relação preço/lucro, crescimento de carteira e qualidade do crédito ajuda a separar bancos que “fazem a curva aberta” de quem ainda ajusta o volante em meio à tempestade.
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