Polo Capital descreve Hapvida como “avião que caiu” e avalia saída do investimento

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A Hapvida (HAPV3) deixou de ser vista como emissora de referência no mercado de crédito privado e passou a representar um caso de alerta para gestores. A Polo Capital, que detém posição nos títulos da operadora de planos de saúde, compara a companhia a um “avião que caiu” e acompanha diariamente três indicadores que podem levar à venda de sua exposição.

Reviravolta começou no 3º trimestre

Até meados de 2023, a Hapvida era classificada como de alta qualidade e captou entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões em outubro, pagando CDI + 1,30 ponto percentual. A inflexão veio com o balanço do terceiro trimestre de 2023: após dez períodos consecutivos de geração de caixa, a empresa registrou queima de recursos, perdeu beneficiários e anunciou a substituição do presidente-executivo. Nesse dia, as ações recuaram 45%.

Conrado Rocha, sócio da Polo Capital encarregado do investimento, relembrou o episódio no podcast Stock Pickers. Segundo ele, quedas dessa ordem costumam ocorrer apenas em casos de fraude, o que não se aplica à Hapvida.

Silêncio ao mercado aumentou tensão

Após a troca na liderança, a Hapvida suspendeu a comunicação com investidores por dois a três meses para analisar internamente os problemas. Quando publicou o resultado do quarto trimestre, em 18 de março, os números voltaram a decepcionar: mais perdas de clientes e margem abaixo do esperado. O prêmio pago pelos títulos subiu de CDI + 1,30 para CDI + 2, depois para CDI + 5 e, recentemente, alcançou CDI + 8.

Estrutura de capital ainda oferece folga

Apesar do cenário adverso, a operadora tem cerca de R$ 2 bilhões em dívidas vencendo até 2026 e dispõe de aproximadamente R$ 8 bilhões em caixa, dos quais R$ 5,5 bilhões são recursos livres. A Squadra, acionista conhecida por cobranças públicas, busca vagas no conselho. Em resposta, a Hapvida anunciou a contratação simultânea de dez executivos, entre eles novos diretores financeiro, de relações com investidores, de fusões e aquisições, de recursos humanos e de assistência médica.

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Imagem: infomoney.com.br

Concentração regional e venda de ativos

Com faturamento anual próximo de R$ 30 bilhões, a empresa detém posição predominante no Nordeste, onde opera o modelo verticalizado, mas enfrenta forte concorrência no Sudeste. Para reforçar a liquidez e reduzir presença em áreas de menor rentabilidade, colocou à venda sua operação no Sul.

Três sinais que podem deflagrar a saída

A Polo Capital monitora:

  • Persistência da perda de beneficiários, que reduziria a ocupação de hospitais e ampliaria custos fixos;
  • Nova troca na diretoria, fator visto como quebra da memória corporativa necessária à recuperação;
  • Sequência adicional de trimestres com consumo de caixa, o que encurtaria o prazo confortável de vencimentos.

“Ninguém dorme tranquilo aqui. Acompanhamos a companhia todos os dias”, resumiu Rocha. A gestora afirma que pode reduzir ou zerar a posição caso esses alertas se confirmem.

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