O mercado de crédito privado no Brasil caminha para um período de escassez de novas emissões, tendência que pode reduzir ainda mais o retorno de títulos já presentes nas carteiras dos investidores.
No primeiro trimestre, o volume de novas debêntures encolheu 4% em relação ao mesmo intervalo de 2023. Em abril, das 19 ofertas previstas, oito foram adiadas e três canceladas. Das oito operações efetivadas, quatro permaneceram nos próprios bancos coordenadores e quatro alcançaram distribuição parcial; nenhuma foi totalmente colocada junto ao público.
Gestores apontam fatores técnicos e de calendário para o enfraquecimento do mercado primário:
Com menos papéis chegando ao mercado, a pressão recai sobre preços e prêmios. Debêntures com vencimento em 2026 pagavam, em média, CDI + 1,7% ao ano no início de 2024; em abril, a remuneração subiu para CDI + 2,2%. Nos títulos atrelados ao IPCA, o spread médio saiu de patamar negativo em janeiro para 34 pontos-base no mês passado, segundo dados da JGP.
Para a Sparta, o desalinhamento entre prêmios do mercado primário e secundário tende a se ajustar gradualmente. Quando o secundário estabilizar, as emissões devem ganhar fôlego novamente.
Imagem: infomoney.com.br
A valorização das taxas provocou queda no valor dos papéis em carteira, levando fundos de crédito privado a render abaixo do CDI no primeiro trimestre. Resgates se intensificaram a partir do fim de março, após o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4), elevando a exigência de prêmios ainda maiores por parte dos gestores.
Especialistas recomendam cautela diante do cenário:
Apesar da retração atual, gestores veem o movimento como parte do ciclo natural do mercado de capitais. A expectativa é de que, após a acomodação dos spreads e a redução dos estoques nos bancos, o fluxo de novas emissões volte a ganhar tração.
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