A Alemanha acaba de erguer, na região da Lusácia, estado de Brandemburgo, a que deve se tornar a turbina eólica terrestre mais alta do planeta. Com 365 m de altura — nove a mais que a Torre Eiffel —, o equipamento deverá entrar em operação ainda este ano e abastecer cerca de 7.500 residências.
Segundo a desenvolvedora Gicon, o gerador alcançará rendimento semelhante ao de parques eólicos instalados no mar (offshore). Na prática, isso significa o dobro da produção típica de aerogeradores onshore convencionais, graças aos ventos mais constantes das camadas altas da atmosfera.
O investimento, de 20 a 30 milhões de euros, conta com apoio de uma agência governamental de fomento a tecnologias limpas. O valor reflete a busca do país por alternativas ao carvão e à energia nuclear, já desativada.
As renováveis responderam por quase 59% da eletricidade do país em 2025, metade vinda do vento. Mesmo assim, o custo da energia alemã continua entre os mais altos do mundo, pressionando a indústria e contribuindo para o PIB estagnado dos últimos anos.
A possibilidade de gerar mais eletricidade por unidade instalada pode aliviar parte dessa conta no médio prazo, mas também exige redes de transmissão robustas e sistemas de armazenamento ou usinas de back-up a gás — caminho defendido pelo atual governo em Berlim.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O avanço dos aerogeradores enfrenta oposição local, sobretudo do partido de extrema-direita AfD, forte na antiga região carbonífera. Críticas vão de impacto visual à fauna a supostos microplásticos liberados pelas pás — alegação ainda não comprovada por estudos científicos.
Para ganhar apoio, o município de Schipkau já distribui 80 euros por ano a cada morador proveniente da receita de parques eólicos. A prefeitura cogita até se tornar dona da nova turbina no futuro, em troca de tarifas mais baixas de luz.
A turbina de 365 m se tornou, assim, um laboratório em escala real. Se o desempenho promissor se confirmar, projetos semelhantes podem redefinir custos e estratégias do setor eólico — na Alemanha e, por tabela, nos demais mercados acompanhados por investidores interessados em energia limpa.
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