Quase um terço da população adulta brasileira terminou 2025 sem qualquer reserva financeira, revela a 9ª edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, conduzida pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.
Segundo o levantamento, 31% dos brasileiros com 16 anos ou mais não tinham nenhum dinheiro guardado no fim do ano passado. Entre os que possuíam alguma economia, apenas 15% dispunham de recursos capazes de cobrir despesas de seis meses a um ano.
Outros 10% disseram ter reserva suficiente para apenas uma semana, enquanto 10% declararam contar com dinheiro para um mês. Somados aos que não possuem qualquer quantia guardada, esses dois grupos representam 51% da população.
A distribuição dos que conseguem sustentar-se por períodos maiores ficou assim: 15% têm fundos para seis meses a um ano, 6% para um a dois anos e 3% para mais de cinco anos. Dessa forma, apenas 24% dispõem de colchão financeiro superior a seis meses.
A ausência de reservas é mais comum entre pessoas da Geração X (45 a 64 anos). Na sequência aparecem os Millennials (30 a 44 anos), com 28% sem poupança alguma.
O total de brasileiros que investem caiu de 37% em 2024 para 36% em 2025, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas, variação dentro da margem de erro de um ponto percentual. Já os que não investem somam 107,7 milhões, ou 63% da população.
Apesar do recuo, 24% dos entrevistados afirmaram ter feito algum investimento em 2025, ante 22% no ano anterior. Quando consideradas apenas aplicações financeiras, o índice recuou de 11% para 10%.
Entre os investidores atuais, 46,1 milhões pretendem continuar aplicando neste ano, enquanto 14,5 milhões planejam parar. Entre os que ainda não investem, 23,3 milhões manifestaram intenção de começar em 2026, o que pode elevar o contingente de investidores para 69,3 milhões.
A pesquisa mostra crescimento das chamadas “bets”: 17% dos entrevistados disseram apostar, contra 15% em 2024 e 14% em 2025. A prática é mais popular na Geração Z (27%), seguida pelos Millennials (22%) e pela Geração X (10%). Entre os Baby Boomers, a fatia cai para 4%.
Imagem: Sasun Bughdaryan via infomoney.com.br
Quarenta e três por cento dos brasileiros afirmam conhecer produtos de investimento, patamar mais alto da série que começou em 2021, quando o índice era de 28%.
A caderneta segue como aplicação mais lembrada (17%) e mais utilizada (22%). Contudo, apenas 20% pretendem mantê-la, movimento que coincide com saídas de recursos, sobretudo entre as classes A e B e os mais jovens. Em 2021, 34,49% dos investidores das classes A e B tinham poupança; em 2025, o percentual recuou para 28,81%.
Títulos privados aparecem em segundo lugar na lembrança, com 14%. Ações são citadas por 10%, mas só 2% efetivamente investem nelas; igual proporção pretende fazê-lo. Fundos de investimento têm 9% de lembrança, e moedas digitais, 8%. Imóveis, lembrados por 7%, despontam como segundo investimento mais desejado para este ano (13%), atrás apenas da poupança (20%).
Entre quem investe, 22% mantêm recursos na poupança, 7% em títulos privados, 5% em fundos e 4% em criptomoedas. A participação de moedas digitais supera a de ações, títulos públicos e previdência privada, cada um com 2%.
Os investidores buscam cada vez mais influenciadores: 35% recorrem ao YouTube e 27% ao Instagram. Televisão (21%), buscadores (20%), portais (15%) e sites (15%) vêm a seguir. Jornais e revistas alcançam 14%, podcasts, 13%, e inteligência artificial já é mencionada por 9%, número puxado por 49% da Geração Z e 36% dos Millennials.
Entre os que afirmam ter conhecimento sobre finanças, 57% investem; no grupo que reconhece não ter, o índice cai para 31%. A educação também influencia a diversificação: quem domina o tema aplica mais em títulos privados (16%), fundos (13%) e criptomoedas (11%). Já os menos informados concentram 20% de seus recursos na poupança e 5% em títulos públicos.
O Raio X do Investidor Brasileiro entrevistou brasileiros com 16 anos ou mais no fim de 2025 e apresenta margem de erro de um ponto percentual para cima ou para baixo.