Ibovespa emenda sexta queda semanal, maior sequência desde 2018; Minerva despenca e Usiminas contrabalança

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções4 horas atrás9 Visualizações

O Ibovespa encerrou a semana com queda de 0,61%, aos 176.209,61 pontos, completando seis semanas consecutivas de recuo – a pior sequência desde 2018. Para o investidor iniciante, o dado chama atenção porque reflete uma combinação de fatores locais e globais que vêm drenando apetite por risco.

Cenário externo: petróleo perto de US$ 110 e juros nos EUA no radar

No exterior, persistem as incertezas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã para cessar-fogo no Oriente Médio. O Brent, referência do mercado de petróleo, ficou próximo de US$ 110 o barril. Quando a energia sobe, aumenta o temor de inflação nas grandes economias. Isso eleva a expectativa de que os bancos centrais mantenham juros altos por mais tempo.

Nos EUA, operadores já precificam a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) voltar a elevar a taxa básica em outubro. A posse de Kevin Warsh na presidência do Fed reforçou a discussão, ainda que Jerome Powell continue no conselho até 2028. Para quem acompanha renda variável, qualquer sinal de juros maiores lá fora costuma pressionar Bolsas em mercados emergentes como o Brasil.

Política e orçamento mantêm cautela doméstica

No plano interno, a cena política ganhou destaque com a nova pesquisa Datafolha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nove pontos sobre Flávio Bolsonaro após o episódio envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”. Notícias desse tipo aumentam a volatilidade porque investidores tentam antecipar o impacto de possíveis mudanças no Executivo em 2027.

Além disso, o governo ampliou de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de verbas discricionárias para cumprir o teto de gastos. Apesar de tecnicamente necessário para respeitar a regra fiscal, o ajuste sinaliza menos recursos para investimentos públicos, algo que pode desacelerar a atividade e, por tabela, o lucro de várias empresas listadas.

Dólar recua, mas segue acima de R$ 5

O dólar à vista fechou a R$ 5,028, baixa de 0,78% na semana. Mesmo em queda, a moeda continua num patamar que pressiona companhias com alto custo em moeda estrangeira ou dívidas atreladas ao câmbio. Para quem investe em títulos atrelados ao dólar, o movimento oferece alívio momentâneo, mas não afasta a percepção de risco.

Usiminas lidera ganhos após surpresa nos resultados

  • USIM5 +13,49% – A siderúrgica reportou lucro de R$ 896 milhões no 1T26, alta de 166% ano a ano. Bancos destacaram redução de custos (COGS) e benefícios fiscais retroativos sobre Juros sobre Capital Próprio. A menor importação de aço ajudou o consenso a revisar projeções e puxou as ações.
  • Outros papéis ligados a aço, como Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3), também reagiram positivamente, sugerindo efeito de cadeia na recuperação de preços domésticos do aço.

Minerva recua 14%: corte de preço-alvo e receio com ciclo pecuário

  • BEEF3 –14,09% – O Itaú BBA reduziu o preço-alvo para R$ 5,50 e mudou a recomendação para neutra, citando câmbio desfavorável, possível inversão do ciclo pecuário (boi mais caro) e volatilidade de frete e energia por causa da crise no Oriente Médio.
  • A suspensão temporária pela China de importações de três frigoríficos brasileiros, embora não envolva a Minerva, aumentou o receio de barreiras sanitárias, contribuindo para a pressão vendedora.

O que fica para o investidor acompanhar

  • Jurosselice e inflação: novas leituras de IPCA e expectativas de cortes ou pausas na Selic podem redefinir o equilíbrio entre renda fixa e Bolsa.
  • Petróleo e câmbio: avanços ou retrocessos nas negociações EUA–Irã tendem a mexer com os preços do Brent e, por consequência, com o dólar e a curva de juros brasileira.
  • Agenda política: desdobramentos do cenário eleitoral de 2026 e eventuais revisões no orçamento podem manter a volatilidade elevada.
  • Temporada de balanços: empresas de consumo interno e exportadoras divulgarão números do 2T26 nas próximas semanas, oferecendo pistas sobre margens em ambiente de juros altos.

Para quem está começando a investir, a sequência de seis semanas de queda mostra a importância de diversificar a carteira e entender como fatores macroeconômicos — petróleo, juros, política e câmbio — interagem com o desempenho dos ativos.

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