As ações do Nubank (ticker NU na NYSE e BDR ROXO34 na B3) recuavam 4,8% no pré-market desta sexta-feira (15). O movimento veio após o banco digital reportar lucro líquido de US$ 871 milhões no 1º trimestre de 2026, número que ficou abaixo dos US$ 980 milhões esperados por analistas consultados pela LSEG.
Embora o ganho tenha avançado 41% em relação ao mesmo período de 2025, parte dos investidores se frustrou com a diferença para as projeções. Em um cenário de juros ainda elevados no Brasil e na América Latina, o mercado costuma olhar com atenção a capacidade dos bancos de manter rentabilidade sem assumir riscos excessivos.
Segundo o diretor financeiro, Guilherme Lago, o recuo frente às expectativas ocorreu porque a carteira de crédito avançou 40% em 12 meses, exigindo maior reconhecimento antecipado de provisões para possíveis perdas. Esse mecanismo, chamado tecnicamente de impairment, reduz o lucro contábil no presente para cobrir eventuais inadimplências futuras.
O índice de inadimplência entre 15 e 90 dias subiu de 4,1% para 5%. Já o atraso acima de 90 dias mostrou leve melhora, de 6,6% para 6,5%. Para o investidor iniciante, a mensagem é simples: quanto maior o atraso, maior a necessidade de o banco reservar capital, o que pressiona o resultado.
A receita financeira líquida de juros (NII) atingiu recorde de US$ 3,25 bilhões, mas a margem financeira líquida ajustada ao risco (NIM) ficou em 9,5% – queda de um ponto percentual na comparação trimestral. O NIM indica quanto o banco ganha, em média, sobre cada real (ou dólar) emprestado, já descontado o risco. Quando essa margem cai, o potencial de lucro também diminui.
Imagem: Juliana Américo
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 29%, ainda acima dos 24% reportados pelo Itaú Unibanco no mesmo período, mas inferior aos 33% vistos no quarto trimestre de 2025. Para quem acompanha ações de bancos, o ROE é um termômetro de eficiência: quanto maior, mais valor a instituição gera para o acionista. A queda sinaliza que o ambiente competitivo e o aumento das provisões começam a pesar.
O Nubank fechou março com 135,2 milhões de clientes, sendo mais de 15 milhões no México. A operação mexicana alcançou o ponto de equilíbrio (breakeven) pela primeira vez, um marco relevante porque reduz a necessidade de capital próprio para financiar o crescimento fora do Brasil.
Para o investidor que acompanha o setor financeiro, números como NIM, ROE e índices de inadimplência ajudam a entender se o banco está equilibrando crescimento e risco. A evolução desses indicadores nos próximos trimestres, especialmente em um ambiente de possíveis cortes graduais de juros no Brasil, tende a direcionar o humor do mercado com o papel.
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